Pequi Sem Espinho: Uma Revolução no Cultivo
O pequi, um fruto típico do Cerrado, está passando por uma transformação significativa com a introdução de novas variedades sem espinho, desenvolvidas por pesquisadores da Embrapa Cerrados em colaboração com a Emater-GO. Essa inovação não apenas facilita a extração da amêndoa, como também proporciona aos consumidores uma experiência mais prática e agradável, mantendo as características de cor e sabor do pequi convencional. Com polpa mais grossa e suculenta, o pequi sem espinho promete abrir novas oportunidades na indústria alimentícia e cosmética.
Segundo Elainy Pereira, pesquisadora da Emater-GO, o cultivo do pequi ocorre desde 2000 em áreas protegidas de reserva legal, obrigando os produtores a manter essas áreas por lei. A previsão de colheita agora é mais precisa, o que muda completamente a dinâmica do cultivo.
A Demanda em Alta e o Preço do Pequi Sem Espinho
Mauro Filho, sócio da Plant Roots Viveiro Ambiental, explica que anualmente sua empresa produz cerca de 2 milhões de mudas de espécies exóticas, incluindo entre 60 mil e 70 mil mudas de pequi sem espinho. Ele nota que a demanda está aquecida, embora os preços sejam significativamente superiores aos do pequi tradicional. “A muda do fruto sem espinho é comercializada a R$ 150, um valor dez vezes maior que o do pequi com espinho”, revela.
Além disso, Mauro também está investindo na lavoura do pequi sem espinho, com 4 mil pés plantados, dos quais 2 mil já estão em produção. A expectativa de rendimento é promissora, já que essa variedade começa a produzir após quatro anos e proporciona uma boa safra a cada dois anos. “Essa variedade é mais precoce e garante um retorno mais rápido”, completa o produtor.
Crescimento das Plantações em Mato Grosso
No estado de Mato Grosso, o cultivo de pequi sem espinho também está ganhando destaque. Clodoaldo Maccari, extensionista da Empaer, informa que em Gaúcha do Norte já existem cerca de 60 hectares dedicados a essa variedade, com pomares que começaram a produzir há dois anos. A técnica de enxertia utilizada na maioria dos novos plantios permite uma entrada mais rápida em produção e assegura maior uniformidade nas colheitas.
Conforme Maccari, a planta do pequi sem espinho inicia a produção entre quatro e cinco anos, e a produção se estabiliza a partir do oitavo ano. Em média, uma árvore adulta pode render entre quatro e cinco caixas de 30 quilos por safra. Apesar da fama de ser uma planta rústica, ele ressalta que o pequi requer cuidados especialmente nos primeiros anos, como controle de pragas e adubação adequada.
Produção Nacional em Ascensão
De acordo com dados do IBGE, os estados de Goiás e Mato Grosso juntos produziram cerca de 3,4 mil toneladas de pequi em 2024. Minas Gerais, no entanto, continua sendo o líder nacional na produção, com uma safra impressionante de 42,5 mil toneladas, ainda proveniente de métodos extrativistas. Este cenário aponta para um futuro promissor para o pequi sem espinho, não só em termos de produção, mas também em potencial de mercado e inovação nas indústrias alimentícia e cosmética.
