Cortejo Cultural na Praça da Liberdade
Na noite de terça-feira (6/1), Belo Horizonte recebeu um evento que encerrava com chave de ouro a programação do Natal da Mineiridade: o tradicional Cortejo de Folias de Reis. O evento aconteceu na Praça da Liberdade, marcando também o desligamento da iluminação especial que homenageou as diversas expressões culturais de Minas Gerais durante o período natalino.
Com início às 18h30, o cortejo contou com a participação de sete grupos de foliões, que partiram do Prédio Verde, sede do Iepha-MG, e seguiram até o Palácio da Liberdade. O trajeto, que atravessou a passarela central da praça, atraiu um público diversificado, composto por moradores da capital, visitantes e turistas em busca de uma experiência cultural única.
A apresentação foi um verdadeiro espetáculo, onde o som das caixas, violas e as vozes dos cantores misturaram-se à dança dos palhaços da folia, criando uma atmosfera vibrante. Os cânticos religiosos e as preces que acompanhavam o cortejo transformaram o ambiente em um grande palco para uma das manifestações culturais mais significativas do estado, reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial de Minas desde 2017.
Experiências Pessoais no Cortejo
Entre os espectadores estava Maria Eduarda, de 24 anos, que viajou de Ribeirão das Neves para prestigiar o evento. Acompanhada de suas filhas, Iara, de 5 anos, e Maia, de 1 ano e 1 mês, ela se mostrou encantada. “Nunca tinha visto uma apresentação de Folia de Reis. Gostei muito”, compartilhou Maria, enquanto suas filhas observavam fascinadas o desfile colorido.
Para Lorraine Veloso, de 25 anos e moradora de Belo Horizonte, a ocasião também foi especial. “Eu já planejava vir à praça por ser o último dia da iluminação. Além disso, sigo um dos participantes, então cheguei mais cedo para prestigiar”, afirmou. Sua impressão sobre o desfile foi entusiástica: “Achei o desfile dos foliões maravilhoso”.
Vera Lúcia, de 60 anos, decidiu acompanhar a apresentação desde o início. Familiarizada com a tradição, ela comentou sobre a importância da Folia de Reis estar presente em um espaço tão central. “Muita gente ainda não conhece. Ver isso aqui, iluminado, é importante”, ressaltou.
Surpresas para Visitantes e Moradores
O evento também surpreendeu visitantes de fora do estado. Gabriel Antônio, de 23 anos, arquiteto, e Mayara Tapia, uma administradora de 25 anos, ambos de Curitiba, se depararam com o movimento enquanto passeavam pela praça. “A gente viu esse frevo e resolveu parar para entender o que estava acontecendo”, contou Mayara. Gabriel complementou: “Na verdade, estávamos aqui para visitar a Casa Fiat de Cultura, que exibe gravuras do mestre Rembrandt. Foi por sorte que chegamos aqui”.
O casal, impressionado com a apresentação, logo iniciou uma conversa com uma senhora que já conhecia a tradição, aumentando ainda mais seu interesse. Até mesmo quem trabalha na praça, como o vendedor de balões Alessandro Figueiredo, de 39 anos, interrompeu sua rotina para admirar o desfile. “Está bonito”, resumiu, absorvendo a energia do evento.
Os grupos participantes do cortejo incluíram a Folia de Dona Guidinha, do bairro Caiçara; a Folia de Nossa Senhora Aparecida, de Ibirité; a Folia de São Sebastião, de Salto da Divisa; a Caravana de Santos Reis União de Amigos, do bairro Tupi; a Folia de São Francisco Xavier, do bairro Felicidade; a Folia dos Santos Reis Estrela do Oriente, do bairro Aparecida; e a Folia de Santos Reis e São Sebastião, de Vespasiano.
Um Natal Histórico para Minas Gerais
Esse cortejo foi uma iniciativa do Governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo, em colaboração com a Fundação Clóvis Salgado e o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG). O evento não só encerrou a programação de Natal, mas também foi considerado um marco significativo na cultura local.
De acordo com a Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, a programação ao longo do Natal da Mineiridade atraiu cerca de 1 milhão de pessoas apenas na Praça da Liberdade, além de 164.711 visitantes no Palácio da Liberdade. Ao todo, ocorreram 36 atrações musicais, e o impacto dessa festividade se refletiu na economia criativa da cidade.
A Vila Mineiridade, que funcionou por 49 dias, de 19 de novembro a 6 de janeiro, também teve um papel importante, recebendo cerca de 60 mil pessoas e gerando R$ 3,6 milhões em movimentação econômica, além de criar 350 empregos diretos.
