Um Retorno Inusitado e Repleto de Reconhecimentos
Nos primeiros dias de 2024, Ricardo Teodoro decidiu visitar sua família em São José da Safira, no Vale do Rio Doce, e teve uma experiência inusitada. “Os amigos que cresceram comigo vinham pedir para tirar foto, mostrando que me conheciam”, relata, com bom humor, durante uma entrevista por telefone. Essa visita é marcante, já que sua última ida à cidade foi há dois anos, período em que sua carreira sofreu uma reviravolta significativa.
Após ser convidado para fazer parte do filme “Baby”, dirigido por Marcelo Caetano, Teodoro viu sua trajetória profissional alçar novos voos. O filme foi apresentado no Festival de Cannes de 2024, onde ele recebeu o prêmio de melhor ator revelação na 63ª Semana da Crítica. A conquista impulsionou sua carreira, levando-o a novos projetos na televisão.
A Nova Face nas Telinhas
Teodoro foi escalado para interpretar Olavinho, um personagem carismático e atrapalhado, no remake da novela “Vale Tudo”, exibida pela Globo. O envolvimento do personagem em diversas confusões ao lado de seu amigo César, interpretado por Cauã Reymond, cativou o público e rendeu a ele a oportunidade de repetir a parceria com Reymond em “Jogada de Risco”, uma nova série do Globoplay.
Com previsão de estreia para 2024, a série promete desvendar os bastidores pouco glamourosos do futebol brasileiro. Na trama, Ricardo dá vida a Valter, amigo de infância de Maurício, um ex-jogador que se reinventa como agente de atletas. O personagem de Teodoro, envolvido em agiotagem, gera tensões na relação com Maurício, especialmente quando questões financeiras entram em jogo.
Um Novo Capítulo em Sua Carreira
Além de “Jogada de Risco”, Ricardo Teodoro tem recebido propostas de novos projetos no universo audiovisual, embora não possa divulgar detalhes. “Estou vivendo uma fase de muita autoconfiança. Sinto que posso contribuir mais, não apenas interpretando, mas também sugerindo falas que enriquecerão a cena”, comenta. Ele exemplifica sua contribuição na série, onde propôs uma fala final que, segundo ele, trouxe complexidade à cena e foi aceita pelo diretor Bruno Safadi.
Desafios e Superações ao Longo do Caminho
Apesar do sucesso recente, o caminho de Ricardo não foi fácil. Antes de filmar “Baby”, ele enfrentou diversas dificuldades que o levaram a questionar sua carreira. Natural de São José da Safira, mudando-se para Governador Valadares aos 16 anos, ele se envolveu com o teatro através do grupo Asas do Invento. Após se formar, foi para Curitiba, onde esperava encontrar mais oportunidades, mas logo percebeu que o cenário estava lotado.
Ricardo então se mudou para o Rio de Janeiro e estudou na Casa de Artes das Laranjeiras (CAL). Após se formar, fez pequenas participações em novelas, mas não obteve destaque. Na busca por novas chances, ele se aventurou em São Paulo, mas as oportunidades continuavam escassas.
Com a chegada da pandemia de 2020, ele se mudou para Ipatinga, onde fez algumas peças virtuais e trabalhou em empregos diversos para sustentar-se, como bilheteiro e em shopping. Ele chegou a prestar concurso para ser professor de teatro, mas quando recebeu a notícia de que havia sido aprovado, uma nova proposta de atuação surgiu. O dilema entre estabilidade e a busca pelo sonho o levou a decisões difíceis.
Oportunidades e Novos Horizontes
Após desilusões, Marcelo Caetano entrou em contato e ofereceu o papel de Ronaldo em “Baby”, um personagem que vive um relacionamento conturbado com o jovem Wellington. A aceitação desse papel foi um divisor de águas em sua carreira, culminando no prêmio em Cannes, que o catapultou para a frente das câmeras.
“Agora, quero voltar a fazer teatro, paralelamente ao trabalho no audiovisual”, planeja Ricardo. Ele ainda expressa o desejo de montar um monólogo inspirado na obra de Frantz Fanon, “Pele Negra, Máscaras Brancas”, em 2026. Com um futuro promissor pela frente, Teodoro se destaca como uma das novas vozes da atuação no Brasil.
