Investigação sobre Longevidade no Brasil
O Brasil abriga atualmente três dos dez supercentenários mais longevos do mundo, incluindo o homem mais velho ainda vivo, nascido em 5 de outubro de 1912. Esse feito notável se destaca ao ser comparado com países com fama de longevidade, como o Japão.
Diante dessa realidade, cientistas começaram a investigar os brasileiros que ultrapassaram a marca dos 100 anos, buscando entender não apenas o porquê de chegarem a idades tão avançadas, mas também como conseguem envelhecer de forma saudável. Muitos desses centenários mantêm autonomia, lucidez e qualidade de vida, mesmo após os 100 anos.
Os Genes da Longevidade
Para encontrar respostas, os pesquisadores realizaram o sequenciamento genético de diversas pessoas centenárias. As análises iniciais revelaram que alguns genes associados à longevidade, já identificados em populações europeias, também estão presentes entre os supercentenários brasileiros. Além disso, variantes genéticas ainda não amplamente estudadas chamaram a atenção dos pesquisadores, podendo estar ligadas à diversidade da população brasileira.
Com isso, os cientistas levantam a hipótese de que a “fórmula” da longevidade no Brasil pode estar relacionada à miscigenação da população. Essa característica, ainda pouco representada em grandes estudos genômicos internacionais, pode fornecer uma visão única e valiosa sobre o envelhecimento saudável.
Publicação e Casos de Longevidade
Os dados coletados foram compilados em um artigo publicado na revista Genomic Psychiatry, assinado por pesquisadores da Universidade de São Paulo. Entre os participantes desse estudo estava Irmã Inah, reconhecida como a pessoa mais longeva do mundo até sua morte em abril de 2025, aos 116 anos. O grupo também incluiu outros dois homens notáveis: um que faleceu em novembro passado, aos 112 anos, e outro que atualmente tem 113 anos.
O estudo também destaca a presença de longevidade concentrada em famílias. Um exemplo notável é o de uma mulher de 110 anos que possui sobrinhas com idades de 100, 104 e 106 anos, representando uma das famílias mais longevas já documentadas no Brasil. A mais velha delas, com 106 anos, foi campeã de natação aos 100 anos, mostrando que a vitalidade pode acompanhar a longevidade.
Acompanhamento e Envelhecimento Saudável
Além do sequenciamento genético, os cientistas monitoram anualmente a saúde dos centenários. Um dos aspectos que mais impressiona é que, mesmo em idades tão avançadas, muitos supercentenários se mantêm lúcidos e independentes em suas atividades diárias. Isso sugere que, para esses brasileiros, viver muito vai além da mera longevidade; trata-se de envelhecer de forma diferente, mantendo funcionalidade e qualidade de vida até idades extremas.
Os pesquisadores ainda acreditam que as respostas sobre a longevidade poderiam ser mais compreensíveis caso houvesse uma maior diversidade genética nas análises — algo que o Brasil, com sua rica miscigenação, pode oferecer. Esta hipótese preliminar sugere que a vida longa dos brasileiros pode ser, em parte, uma consequência dessa mistura única de genes.
