Performances que Impactam
O fim de semana da 51ª Campanha de Popularização Teatro e Dança trouxe ao público apresentações memoráveis, como a performance “Q BRÔ”, protagonizada pelas bailarinas Dudude Herrmann e Lina Lapertosa. Com um enfoque em improvisação, o espetáculo explora os múltiplos sentidos do verbo “quebrar”, refletindo as vivências das artistas. Em cartaz na Funarte, a montagem tem despertado o interesse do público desde sua estreia na última sexta-feira (9/1) e permanecerá em cena até segunda-feira.
“Q BRÔ” teve sua primeira apresentação em junho do ano anterior, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB-BH), e fez sucesso absoluto com casa cheia. Dudude lembra com entusiasmo: “Foram três semanas de lotação, uma grata surpresa para nós. Este espetáculo aborda a natureza humana e não se limita às questões sociais, mas à arte em si”, destaca. A performance, com um caráter tão íntimo, toca o público de maneira singular, permitindo interpretações pessoais.
A concepção de “Q BRÔ” começou em 2019, na casa de Dudude, no distrito de Casa Branca. O nome do espetáculo surgiu de uma situação aparentemente trivial: um prato que caiu e quebrou enquanto as bailarinas tomavam café. Entretanto, a pandemia e uma lesão de Dudude interromperam o projeto por um tempo, mas a necessidade de explorar temas profundos nunca se apagou.
Reflexões Através da Dança
“O conceito de integridade e o amor, em sua essência mais pura, foram os fios condutores da nossa criação. A partir de experiências pessoais e a ideia de que algumas coisas precisam ser quebradas para darmos novos passos, compusemos a narrativa do espetáculo”, explica Dudude. Essa busca por um significado mais profundo é traduzida não apenas nos movimentos das bailarinas, mas também nos galhos de árvores, que integram o cenário, simbolizando a fragilidade e a beleza da natureza.
Com trilha sonora de artistas como Patti Smith, Max Richter e Ryuichi Sakamoto, as bailarinas trazem à cena suas experiências únicas. Ambas compartilham a mesma geração, mas com formações distintas: Dudude é formada pelo Trans-Forma Centro de Dança Contemporânea, uma referência na renovação da cena mineira nos anos 70, enquanto Lina Lapertosa, com formação clássica, foi a primeira mulher a integrar a Companhia de Dança do Palácio das Artes. “O que faz ‘Q BRÔ’ tão especial é a soma das nossas diferenças,” enfatiza Dudude, ressaltando como cada estilo contribui para a riqueza do espetáculo.
Intrigas na Obra de Agatha Christie
Outro destaque da Campanha é “Os Mistérios de Agatha Christie”, em cartaz no Teatro da Biblioteca Pública de Minas Gerais, com apresentação única no domingo (11/1). Esta peça é baseada na famosa “A Ratoeira”, escrita pela autora em 1952, onde um grupo de estranhos se vê preso em uma mansão após um assassinato, revelando segredos obscuros no processo de investigação.
No entanto, “Os Mistérios de Agatha Christie” vai além da obra original, funcionando como uma continuação metaficcional. A trama se desenrola na mente de Agatha Christie, trazendo elementos da vida da autora para a narrativa, como a traição de seu primeiro marido e sua experiência com venenos adquirida durante a Primeira Guerra Mundial, quando atuou como enfermeira.
Na peça, Molly, a única sobrevivente de “A Ratoeira”, é assassinada, levando Poirot e Miss Marple a investigar o crime. E mais: a plateia será parte ativa na resolução do mistério, seguindo pistas deixadas durante a apresentação. “Queremos que o público se envolva, ajudando a desvendar o enigma,” revela Luisa Leão, autora e diretora do espetáculo.
Programação Cultural em Ascensão
Além das performances já mencionadas, a 51ª Campanha de Popularização do Teatro e Dança apresenta uma variedade de espetáculos, refletindo a rica cena cultural de Minas Gerais. O evento se destaca por proporcionar ao público experiências artísticas diversificadas e de qualidade, contribuindo para a formação de novas plateias e o fortalecimento das artes cênicas.
