Uma Nova Perspectiva Para o Turismo
O Espírito Santo deve encarar o turismo como uma atividade econômica vital, com planejamento robusto e foco na geração de renda. Essa é a opinião de Enzo Arnes, ex-presidente da GramadoTour e uma referência no turismo de destinos no Brasil. Em entrevista à Coluna Mundo Business, Arnes destacou que, embora o estado possua vantagens competitivas evidentes, a falta de uma abordagem empresarial coesa tem prejudicado o setor. Para ele, o principal desafio enfrentado pelo turismo no país, e especificamente no Espírito Santo, é a visão limitada do setor, que muitas vezes é considerado apenas como uma opção de lazer e entretenimento. “O turismo é um poderoso motor de emprego, renda, impostos e um impacto direto no PIB. Enquanto for visto como secundário, seu potencial econômico não será plenamente aproveitado”, argumentou.
Arnes enfatizou que o turismo deve ser entendido como uma cadeia produtiva que necessita de governança eficaz. Com uma experiência de mais de dez anos na gestão de turismo em Gramado, ele apresentou casos práticos de como destinos de sucesso se estruturam. Em Gramado, por exemplo, mais de 90% da arrecadação de impostos e da geração de receita está diretamente ou indiretamente vinculada ao turismo. Isso justifica, segundo ele, o fato de que o orçamento municipal é significativamente superior ao de cidades de tamanho semelhante.
Organização Coletiva: O Segredo do Sucesso
De acordo com Arnes, o diferencial de um destino turístico não reside apenas em suas belezas naturais ou características únicas, mas na organização coletiva entre empresários e associações. “Os lugares que prosperam no Brasil e no exterior compartilham uma característica fundamental: uma comunidade de empresários coesa, associações fortes e uma governança que defende interesses, planeja ações e gera fluxo de visitantes”, disse.
Ele faz uma analogia interessante, comparando o destino turístico a um shopping center. A ideia, segundo Arnes, não é promover uma loja isolada, mas sim o conjunto de experiências disponíveis. “O cliente precisa, antes de tudo, se sentir atraído pelo shopping. Só então ocorre a competição pela melhor vitrine. No turismo, é parecido: deve-se primeiro vender o estado, e depois os hotéis, pousadas e experiências”, explicou.
Oportunidades Exclusivas no Espírito Santo
Na visão do especialista, o Espírito Santo possui uma chance rara ao adotar esse modelo. Por sua pequena extensão territorial, o estado permite que os visitantes acessem rapidamente diversos ecossistemas, desde praias e montanhas até turismo rural, cultural e gastronômico. “Poucos locais conseguem oferecer, em poucos dias, experiências tão diversificadas sem que o visitante precise mudar de estado. Isso é um ativo extremamente valioso”, afirmou.
No decorrer da conversa, Arnes mencionou exemplos de sucesso em destinos como Monte Verde, Capitólio e Bonito, onde a organização empresarial facilitou desde a gestão compartilhada de atrações até a realização de eventos, controle do fluxo turístico e aprimoramento do perfil dos visitantes. Em todos esses casos, a lógica foi a mesma: unir esforços para elevar os padrões do destino e, consequentemente, o retorno econômico.
Para Arnes, a mensagem é clara: se o Espírito Santo quiser progredir de forma sustentável, deve reconhecer o turismo como um negócio, estruturar governanças regionais e promover o estado como um grande “shopping” de experiências. “Quando o coletivo prospera, todos vendem mais. É assim que se constroem destinos fortes”, concluiu.
