Receio no Setor Agropecuário
A recente assinatura do acordo entre o Mercosul e a União Europeia foi recebida com muita cautela pelo agronegócio brasileiro. Apesar de o setor ter, por muito tempo, se posicionado como um dos principais apoiadores dessa iniciativa, as lideranças do agro estão preocupadas com as salvaguardas inseridas no texto final do tratado. Essas medidas limitam, segundo especialistas, a efetiva abertura comercial que o acordo prometia.
As salvaguardas em questão dão à União Europeia a possibilidade de ativar mecanismos de proteção, que incluem desde a suspensão de preferências tarifárias até o bloqueio de volumes importados, sempre que houver uma avaliação de risco à produção agrícola local. Um representante de renome no agronegócio brasileiro expressou sua preocupação, afirmando que a UE já conta com um sistema de subsídios agrícolas que representa aproximadamente R$ 1 bilhão por dia. Com a inclusão das salvaguardas no acordo, produtores locais estimam que o impacto dos subsídios europeus pode aumentar para cerca de R$ 2 bilhões diários.
A crítica ao tratado aponta que, embora existam cotas e reduções tarifárias estipuladas, o acesso real ao mercado europeu depende de um ambiente regulatório que muitos consideram instável. Isso gera incerteza entre os produtores, que avaliam a viabilidade de suas operações em um cenário tão volátil.
A discordância e o sentimento de desconfiança também se refletem em declarações públicas. Tereza Cristina, vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, afirmou que o acordo “não foi o acordo dos sonhos, mas o possível”. Essa declaração ressalta a percepção de que o livre comércio ainda está longe de ser uma realidade, dada a presença das salvaguardas impostas pela UE, que ela mesma classificou como “ameaças injustas ao agro brasileiro”. Assim, o cenário se torna ainda mais desafiador para o setor, que luta por condições mais favoráveis em um mercado global cada vez mais competitivo.
