Ministério da Saúde Rejeita Proposta da Fiocruz e Takeda
O Ministério da Saúde decidiu não aprovar a parceria proposta entre a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e a farmacêutica Takeda, que visava a produção de uma vacina contra a dengue. A rejeição se deu com base na justificativa de que o projeto não cumpria os requisitos mínimos necessários para sua efetivação.
De acordo com informações divulgadas pelo Ministério em entrevista ao jornal O Globo, a proposta não assegurava acesso total ao conhecimento sobre a produção do IFA (Insumo Farmacêutico Ativo), que é um componente crucial para a fabricação nacional do imunizante. Além disso, a pasta ressaltou que não houve contestação oficial à decisão.
A Fiocruz, em resposta à decisão, reconheceu a falta de espaço adequado em suas instalações para acomodar a produção da vacina desenvolvida pela Takeda. A instituição declarou: “Considerando as instalações atuais, portanto, a eventual produção do IFA para esse imunizante ficaria limitada”. Esse aspecto é fundamental, pois a produção do medicamento integralmente no Brasil é um pré-requisito para o programa de parcerias do governo federal.
Impactos da Parceria Rejeitada
O projeto, que contava com a participação do laboratório Bio-Manguinhos, unidade da Fiocruz, visava a aplicação da vacina Qdenga, que já está em uso no Sistema Único de Saúde (SUS) para imunização de jovens entre 10 e 14 anos. Se aprovada, a parceria permitiria a ampliação da vacinação contra a dengue para outras faixas etárias, além do grupo atualmente atendido. Vale destacar que a vacina da Takeda exige a aplicação de duas doses para a imunização completa.
Apesar da negativa, a Fiocruz informou que não fará um novo pedido ao Ministério da Saúde, o que impossibilita a produção da vacina no Brasil. Essa decisão levanta preocupações sobre o controle da dengue no país, especialmente em um cenário em que a doença tem apresentado um aumento significativo em casos.
Expectativas em Relação à Dengue
Em conversa com a Folha de S.Paulo, a farmacêutica Takeda expressou sua disposição técnica para avançar com a parceria com a Fiocruz. A empresa declarou que continua aberta a dialogar com o Ministério da Saúde e o governo federal, buscando desenvolver soluções que ampliem o acesso à vacina contra a dengue.
Um estudo recente, elaborado pelo projeto internacional IMDC (InfoDengue-Mosqlimate Dengue Challenge) em colaboração com a Fiocruz e a FGV (Fundação Getúlio Vargas), projeta que o Brasil enfrentará cerca de 1,8 milhão de casos de dengue até 2026. Deste total, estima-se que 54% das ocorrências ocorrerão no Estado de São Paulo, e 10% em Minas Gerais. Esses dados ressaltam a urgência de estratégias eficazes para conter a disseminação da doença.
