Expansão do Conilon promete novos rumos para a cafeicultura em Minas Gerais
Minas Gerais, já reconhecida como a maior produtora de café do Brasil, está prestes a ampliar ainda mais seu parque cafeeiro nos próximos anos, impulsionada pela expansão do cultivo do grão conilon, uma variedade que ainda é pouco explorada no estado.
Tradicionalmente, a produção mineira foi quase inteiramente voltada para a espécie arábica, que historicamente se destacou por seu valor no mercado. No entanto, o conilon tem ganhado destaque por sua rentabilidade crescente. Essa variedade não só apresenta várias safras com valorização, como também é mais resistente aos efeitos do estresse hídrico e térmico.
Com essa nova perspectiva, muitos produtores de leite da região estão incorporando o conilon como uma alternativa para diversificar suas fontes de renda. Além disso, grandes cafeicultores que já possuem fazendas voltadas para o cultivo de arábica têm adquirido novas áreas em diferentes regiões de Minas para investir na produção do conilon.
A ampliação do cultivo é mais notável nas regiões da Zona da Mata e do Vale do Jequitinhonha, onde a baixa altitude impede o cultivo da espécie arábica devido às condições climáticas. Estima-se que, em 2025, Minas colheu cerca de 584,2 mil sacas de 60 kg de café conilon, conforme dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). Embora esse número seja modesto em comparação às 25,1 milhões de sacas de arábica colhidas no mesmo período, a produção de conilon teve um crescimento expressivo de 50% em relação a 2024, segundo a Conab.
Antônio de Salvo, presidente da Faemg (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais), acredita que essa tendência de crescimento deve se intensificar rapidamente nos próximos anos. “Temos Minas Gerais inteiro para plantar, desde que haja disponibilidade de água. E como Minas é a caixa d’água do Brasil, existe um potencial enorme para pequenas propriedades produzindo café conilon, principalmente nas propriedades de leite”, afirma Salvo.
Apesar de atualmente o café arábica representar 96% da produção mineira e o conilon apenas 4%, Salvo acredita que a participação do conilon deve aumentar, especialmente com o avanço das cultivares de melhor qualidade para o consumo. Ele espera que, em um futuro próximo, Minas Gerais consiga alcançar níveis de cultivo de conilon similares aos dos principais estados produtores do Brasil.
Hoje em dia, os estados que lideram a produção de café conilon são o Espírito Santo, com 9,8 milhões de sacas, seguido pela Bahia, com 3,3 milhões, e Rondônia, com 2,3 milhões de sacas, conforme os dados da Conab. Com a crescente valorização e a diversificação do cultivo, Minas Gerais se prepara para uma nova fase na cafeicultura, buscando não apenas aumentar a produção, mas oferecer grãos de qualidade que atendam à demanda do mercado.
