Mulher é presa em operação conjunta entre Minas Gerais e Rio de Janeiro
Na cidade de Búzios, no Rio de Janeiro, uma ação conjunta da Central de Inteligência da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp-MG) e da Polícia Militar do Rio de Janeiro (PMRJ) resultou na prisão de Anne Casaes, de 38 anos. Conhecida no meio policial como a “Dama do Crime”, Anne tinha um mandado de prisão em aberto e foi capturada na última semana.
A Sejusp-MG informou que Anne é identificada como um elo operacional do Comando Vermelho (CV), atuando principalmente entre Minas Gerais, Mato Grosso e o próprio Rio de Janeiro. Sua prisão marca um passo significativo na luta contra o crime organizado que opera em diferentes estados brasileiros.
Durante as investigações, a Central de Inteligência da Sejusp-MG detectou uma fraude no sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Esse esquema, revelado recentemente pelo Departamento de Operações Especiais (Deoesp), envolvia a falsificação de informações que permitiram que o mandado de prisão de Anne fosse registrado como cumprido, mesmo ela permanecendo em liberdade. A situação foi considerada grave, levando o Tribunal de Justiça (TJ) a tomar as devidas providências para retificar a situação judicial e expedir um novo mandado de prisão.
Fraude e Justiça: O Complexo Caso de Anne Casaes
O caso de Anne não é isolado. Em julho de 2025, ela havia sido presa em outra operação conjunta entre as polícias civis de Minas Gerais e do Mato Grosso, que investigava fraudes no estado mato-grossense. Naquela ocasião, Anne foi liberada pelo Poder Judiciário, que levou em consideração sua condição de saúde e a responsabilidade como mãe de um filho pequeno.
Agora, com sua prisão efetivada em Búzios, Anne Casaes será encaminhada ao sistema prisional carioca, onde ficará à disposição da Justiça. A situação levanta questões sobre a responsabilidade do sistema judiciário em lidar com mandados de prisão e a proteção a crianças em situações semelhantes.
Defesa de Anne Casaes se Manifesta
A defesa de Anne, representada pelo advogado Marco Assis, contestou a prisão, considerando-a “completamente arbitrária”. Em declaração à imprensa, Assis ressaltou que a ordem de prisão se baseou em um processo de 2022, ignorando circunstâncias importantes, como a responsabilidade de Anne por seu filho de apenas 3 anos.
Segundo o advogado, o mandado foi cumprido em razão de uma suposta fraude no sistema que envolveu a senha de um servidor público da Sejusp. “Até o presente momento, não tínhamos conhecimento dessa situação, pois no processo de execução ela ainda consta como presa e estava cumprindo pena em prisão domiciliar”, afirmou Assis.
O advogado ainda ressaltou que Anne já cumpriu mais da metade de sua pena, e pontuou que a situação de ser mãe solteira requer uma análise mais cuidadosa. “Vamos buscar em sede de execução penal a liberdade dela, como já fizemos diversas vezes no passado”, completou.
Este caso, portanto, não apenas destaca a atuação da polícia no combate ao crime organizado, mas também aponta para as complexidades legais e sociais que envolvem a prisão de pessoas responsáveis por crianças pequenas. A expectativa agora é que a Justiça examine todos os aspectos desse caso, levando em consideração as implicações para a vida de Anne e de seu filho.
