Intervenção no Casarão Tombado
O renomado programa Pesadelo na Cozinha, apresentado pelo chef Erick Jacquin, finalizou recentemente a pintura de um casarão emblemático situado no cruzamento das Ruas dos Timbiras e da Bahia, no coração do Bairro Lourdes, em Belo Horizonte. Este imóvel, protegido por tombamento, só pode sofrer alterações com autorização do Patrimônio Cultural do Município, o que levanta questionamentos sobre se houve consulta prévia a essa instância.
A pintura foi realizada exclusivamente no primeiro pavimento do sobrado, onde funciona o Café Cultura Bar, o protagonista do episódio do reality show. O local reabriu suas portas nesta sexta-feira (16/1) após a reforma promovida pela atração de Jacquin. Entretanto, o segundo andar, que abriga uma escola de teatro, não foi contemplado nas intervenções realizadas.
Na tarde desta sexta-feira, a equipe do Estado de Minas visitou o imóvel. Um funcionário designado como responsável pelo café se recusou a comentar sobre a situação do tombamento, afirmando não estar ciente das questões relacionadas. Enquanto isso, as equipes do programa trabalhavam na retirada dos equipamentos de gravação do espaço.
A reportagem tentou contato com o Café Cultura Bar e com a Prefeitura de Belo Horizonte, mas ainda aguarda respostas sobre o ocorrido.
Patrimônio Histórico em Belo Horizonte
O casarão, de autoria do arquiteto Luiz Olivieri, é um exemplo marcante do estilo eclético e foi construído em 1904. Com dois andares e sem recuo em relação à calçada, o imóvel representa a fase inicial do desenvolvimento urbano de Belo Horizonte, que teve sua fundação em 1897. A preservação de prédios históricos como este é essencial para manter viva a memória e a identidade cultural da cidade.
No entanto, a intervenção realizada por um programa de entretenimento levanta preocupações sobre os limites entre a preservação do patrimônio e as demandas da modernidade. Questões como essa refletem um dilema atual enfrentado por diversas cidades, onde o respeito à história se choca com as necessidades de revitalização urbana.
Em um cenário onde a cultura e a história são frequentemente colocadas em segundo plano em prol da modernização, o caso do casarão de Belo Horizonte destaca a importância de um diálogo constante entre as autoridades de preservação e as iniciativas de revitalização, garantindo que a herança cultural seja respeitada enquanto se atende às novas demandas da sociedade.
