Análise das Disputas nos Estados do Nordeste
A corrida eleitoral para 2026 no Nordeste começa a tomar forma, embora muitas definições sobre as composições das chapas ainda pendem de acordos entre os partidos em nível nacional. Em cinco dos nove estados da região, Pernambuco, Ceará, Sergipe, Piauí e Bahia, os atuais governadores estão em busca de um novo mandato.
As disputas em diversos estados revelam um embate entre figuras tradicionais da política local, que se perpetuam no poder, e novos personagens que vêm surgindo. A disputa pelas cadeiras no Senado promete ser intensa, mas algumas articulações ainda dependem do fechamento das alianças a nível federal. A seguir, uma análise detalhada da situação em cada um dos estados nordestinos.
Alagoas: Conflito entre Renan Calheiros e Arthur Lira
No cenário alagoano, as eleições de 2026 estão se configurando como um embate entre duas correntes opostas: uma liderada pelo senador Renan Calheiros (MDB), que atualmente controla o governo estadual, e a outra sob a liderança de Arthur Lira (PP). O grupo de Calheiros busca lançar o ex-governador Renan Filho, atual ministro dos Transportes, como candidato ao governo, enfrentando João Henrique Caldas (PL), o prefeito de Maceió.
Os Calheiros têm aspirações de conquistar duas vagas no Senado, começando pela reeleição de Renan. Por sua vez, Lira se posiciona como o principal opositor, almejando uma cadeira no Senado para assegurar seu espaço tanto em Alagoas quanto em Brasília. Outras candidaturas na oposição também começam a se desenhar, incluindo a da primeira-dama de Maceió, Marina Candia, e do deputado federal Alfredo Gaspar (União Brasil), relator da CPI Mista do INSS.
Bahia: Desafios para a Reeleição de Jerônimo Rodrigues
Na Bahia, a disputa pela sucessão estadual se encaminha para uma repetição do confronto entre o governador Jerônimo Rodrigues (PT) e o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), mas com uma instabilidade crescente dentro do próprio campo governista. Embora Jerônimo figure como o candidato natural à reeleição, setores do PT questionam a eficácia de sua gestão em termos de apelo eleitoral e discutem a possibilidade de Rui Costa retomar a disputa, uma hipótese ainda em aberto e sem definição clara.
A oposição, por outro lado, se apresenta de forma mais coesa em torno de ACM Neto, enquanto as tensões internas no governo se concentram na formação da chapa majoritária, especialmente em relação às vagas no Senado. O PT planeja lançar Rui Costa e Jaques Wagner, o que poderia deixar Angelo Coronel (PSD) de fora da disputa, já que ele se mostra relutante em abrir mão da reeleição.
Ceará: Ciro Gomes e a Formação de uma Nova Chapa
No Ceará, a configuração do palanque na centro-direita envolve o ex-candidato à Presidência Ciro Gomes, que migrou do PDT para o PSDB, buscando orquestrar uma chapa que possa desafiar o PT, atualmente na gestão estadual. Ciro afirma não ter a intenção de encabeçar a chapa, mas seu nome surge como favorito nas pesquisas de intenção de voto. Seu desejo é que a chapa seja liderada pelo ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, que também deixou o PDT, mas se filiou ao União Brasil.
Entretanto, a rivalidade familiar se intensifica, com o senador Cid Gomes (PSB) rompendo relações com Ciro e comprometendo-se a apoiar a reeleição do governador petista Elmano de Freitas, enquanto busca mais um mandato no Senado. Apesar de Elmano ser o candidato até agora, há rumores dentro do PT sobre uma possível candidatura do ministro Camilo Santana (Educação) para o governo.
Maranhão: Fragmentação e Novas Oportunidades
No Maranhão, a sucessão de 2026 se inicia marcada por uma divisão no grupo que governa o estado desde 2014. O acordo anterior, que previa a candidatura de Carlos Brandão (PSB) ao Senado e a transmissão do governo para o vice Felipe Camarão (PT), agora parece incerto. Brandão trabalha para promover a candidatura de seu sobrinho, Orleans Brandão (MDB), enquanto Camarão se esforça para se posicionar como uma alternativa viável dentro do governo e negocia com partidos de esquerda e centro-esquerda.
O panorama eleitoral aponta para um embate entre o atual governador e o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), que desponta como um candidato forte. Felipe Camarão se torna uma incógnita, com a possibilidade de insistir em sua candidatura ou atuar como um mediador em um eventual segundo turno, refletindo a fragmentação do campo governista.
Outros Estados e Considerações Finais
Na Paraíba, uma chapa já está praticamente formada, liderada pelo vice-governador Lucas Ribeiro (PP), enquanto em Pernambuco, a governadora Raquel Lyra (PSD) busca a reeleição em um cenário complexo com alianças conturbadas. O Piauí vê o governador Rafael Fonteles (PT) se posicionar bem para a reeleição, mas com a oposição planejando uma candidatura, e no Rio Grande do Norte, o futuro permanece incerto com movimentações políticas que podem alterar o equilíbrio de forças.
Em Sergipe, o governador Fábio Mitidieri (PSD) aparece como o favorito até o momento, com a oposição ainda indefinida. A definição das alianças nacionais será crucial para organizar a disputa em cada estado da região.
