Desafios Tributários para o Setor Publicitário
O início de 2026 traz à tona uma nova preocupação para o setor publicitário: a implementação do novo regime tributário. Em resposta a essa situação, o Sinapro-MG, em colaboração com o Sistema Nacional das Agências de Propaganda – que inclui a Fenapro e os sindicatos estaduais – está em plena mobilização para preparar as agências para uma transição que se estenderá até 2033.
Em dezembro de 2025, o Sistema lançou uma cartilha exclusiva para seus associados, oferecendo orientações práticas sobre os impactos da nova legislação. A cartilha destaca mudanças importantes, como a substituição dos tributos atuais pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). O objetivo é proporcionar suporte técnico às agências, antecipando as mudanças e sugerindo estratégias de adaptação contábil e financeira.
Capacitação e Sustentabilidade no Novo Cenário
Considerada uma das maiores dificuldades de gestão para a próxima década, a nova legislação exige que os empresários publicitários se tornem especialistas em formação de preços e custeio, assegurando a viabilidade e a sustentabilidade de seus negócios diante das novas regras. O Sinapro-MG promoveu um workshop na sede da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), que reuniu empresários, contadores e representantes de entidades do setor publicitário. O evento, que também foi transmitido online, teve como intuito esclarecer dúvidas e discutir os desafios que o novo modelo tributário poderá trazer para o setor.
Durante o encontro, o presidente do Sinapro-MG, Gustavo Faria, destacou que a reforma pode apresentar tanto oportunidades quanto desafios. “A maior parte das agências é optante pelo Simples Nacional. Para essas empresas, os impactos imediatos da reforma podem ser mais limitados. No entanto, é crucial não descuidar da atenção necessária, especialmente em relação aos efeitos da diferença na geração de créditos tributários, o que pode afetar a competitividade das agências em comparação com empresas tributadas pelo Lucro Real”, enfatizou Faria.
Oportunidades e Cuidados Necessários
O presidente da Fenapro, Daniel Queiroz, também ressaltou a importância da liderança dos empresários do setor para evitar que o aumento da carga tributária prejudique a rentabilidade das agências. Os líderes mencionaram conquistas significativas, como a manutenção da base de cálculo da CBS e do IBS, que será aplicada apenas sobre a receita líquida da agência, incluindo honorários e comissões, e não sobre o total da fatura, que pode incluir investimentos dos anunciantes.
Para apoiar os empresários, além da cartilha informativa, uma ferramenta de simulação foi disponibilizada, juntamente com treinamentos. “O objetivo é permitir que os líderes projetem custos e rentabilidade em diferentes cenários. Não existe uma ‘fórmula de bolo’; cada agência precisa entender seus próprios dados”, explicou o dirigente.
Negociações e Ajustes Contratuais
Outro aspecto de relevância será a negociação com clientes, pois as mudanças exigirão ajustes contratuais para garantir a solidez das agências como parceiras estratégicas. O fluxo de caixa também precisa ser monitorado, visto que o novo imposto será abatido na fonte. Além disso, a tributação de dividendos entrará em vigor em 2026, com uma taxa de 10% na fonte sobre a distribuição de lucros acima de R$ 50 mil por mês.
A orientação para os empresários é que acelerem o diálogo com contadores e advogados tributários, realizando um balanço intercalar até o final de 2025 e convocando assembleias para destinar lucros acumulados, evitando assim a tributação sobre valores gerados até 31 de dezembro de 2025.
O Papel do Sinapro-MG na Transição
Com essas iniciativas, o Sinapro-MG reafirma seu compromisso como entidade representativa e de apoio às agências de publicidade de Minas Gerais, disponibilizando informações de qualidade e promovendo espaços de debate em um momento de transformação econômica significativa. A expectativa é que, ao longo de 2026, novos treinamentos e materiais sejam oferecidos, consolidando a preparação do setor publicitário para os impactos da reforma tributária.
