Sinergia entre Mercosul e União Europeia
A formalização do acordo de livre-comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE) no último sábado, em Assunção, no Paraguai, representa a criação de uma das maiores zonas comerciais do mundo. Flávio Roscoe, presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), considera essa assinatura uma “conquista muito grande”. Em entrevista ao Correio, ele relembra que as negociações se estenderam por mais de 25 anos, caracterizando-se como uma das mais longas da história.
Roscoe expressa otimismo em relação à sinergia entre os blocos: “Acredito que há uma grande afinidade entre a União Europeia e o Mercosul. Estamos ansiosos para que o acordo se torne efetivo o quanto antes”. O líder industrial compartilha uma expectativa elevada do setor, aguardando a implementação rápida do pacto desejado.
Desafios da reforma tributária
O presidente da Fiemg vê 2025 como um ano promissor para a indústria mineira, especialmente com a transição da reforma tributária, que finalmente começa a tomar forma prática. Contudo, ele alerta para o aumento da carga tributária que pode advir das exceções na nova legislação. “É urgente reduzir a burocracia e a carga tributária, mas isso não tem ocorrido”, lamenta Roscoe, que não descarta a possibilidade de concorrer nas eleições deste ano.
Com a economia em desaceleração, a indústria teve um crescimento modesto, com uma previsão de aumento de apenas 1,8% para 2025, segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Roscoe argumenta que o governo tem feito mais promessas do que ações efetivas para impulsionar o setor produtivo.
Movimentação do setor produtivo
Roscoe comenta que, durante a transição da reforma tributária, a duplicidade de sistemas pode gerar incerteza para as empresas. “É um período de insegurança, onde as dificuldades serão mais visíveis em 2026 e 2027, porém as indústrias já estão se preparando para as mudanças”, afirma.
Ele destaca que a Fiemg tem promovido seminários e reuniões para preparar os empresários e levantar questões que precisam ser discutidas com o governo. A resistência às exceções na reforma tributária é uma preocupação constante. “As exceções distorcem o sistema e encarecem as alíquotas”, salienta Roscoe, que espera que debate sobre alíquotas menores volte a ser considerado.
Impacts do Acordo e Expectativas para a Indústria
O acordo Mercosul-UE é visto como um marco importante, e Roscoe acredita que trará oportunidades de crescimento, especialmente para o setor de confecção e para pequenas e médias empresas que não tinham acesso facilitado ao mercado europeu. “Com a efetivação do acordo, produtos que antes eram inviáveis ganharão viabilidade, diversificando nossa pauta de exportações”, projeta.
Entretanto, ele ressalta os riscos associados à implementação do pacto, destacando a resistência que ainda pode surgir na Europa. “Não estamos comemorando em excesso, pois a efetividade do acordo depende da vontade dos países europeus”, alerta.
Desafios do setor industrial
Sobre o investimento na indústria, Roscoe critica a disparidade entre o discurso e a prática do governo: “O que vemos é um aumento de tributos e burocracia, o que inviabiliza a atividade industrial”. Ele chama a atenção para a necessidade de um alinhamento entre as políticas sociais e o mercado de trabalho, argumentando que programas sociais que competem com empregos precisam ser reavaliados.
Roscoe sugere adaptações que permitam que pessoas em situação de vulnerabilidade possam trabalhar sem perder o acesso a benefícios sociais, criando um cenário onde tanto o emprego quanto o auxílio possam coexistir.
Expectativas Eleitorais e Caminhos para o Futuro
Com as eleições se aproximando, Roscoe expressa que há a necessidade de uma valorização real da indústria no novo governo. Ele alerta para o risco de políticas sociais que afastam as pessoas do mercado de trabalho e sugere uma revisão nas estratégias para que o auxílio social não se torne um obstáculo ao emprego formal.
Ele também manifesta estar em diálogo com lideranças políticas sobre possíveis candidaturas, mas não confirma sua participação nas eleições deste ano. “Estamos estudando as propostas e avaliando a situação”, conclui Roscoe.
