Destaques do Cinema Mineiro no Prestigiado Festival de Cinema
O Brasil estará presente em grande estilo na 76ª edição do Festival de Berlim, que ocorrerá de 12 a 22 de fevereiro. Na programação, nove produções nacionais e uma coprodução marcam a participação brasileira nas mostras paralelas do evento. Para o cinema mineiro, a expectativa é ainda mais especial com a participação de dois longas de diretores locais.
Um dos destaques é “Se eu fosse vivo…vivia”, dirigido por André Novais Oliveira, que fará parte da mostra Panorama. Outro filme que promete chamar atenção é “Nosso segredo”, a estreia de Grace Passô na direção de longas, que foi selecionado para a competição Perspectives, voltada para primeiros filmes. Grace, de 45 anos, expressou sua empolgação: “Vai ser um carnaval na neve”, referindo-se à singularidade de se apresentar em um festival de tal magnitude.
Participante habitual das produções da Filmes de Plástico como atriz, Grace já trabalhou em dois longas de Novais, além de outras produções importantes, como “No coração do mundo”, dirigido por Gabriel e Maurílio Martins. A experiência acumulada na companhia foi crucial para que ela se sentisse pronta para abraçar este novo desafio em sua carreira.
Uma Nova Perspectiva sobre a Identidade
Grace Passô comentou sobre sua imersão no cinema negro brasileiro, ressaltando como essa vivência com a Filmes de Plástico ajudou a moldar sua identidade artística e profissional. “Tenho mergulhado na produção do cinema negro brasileiro, e foi muito importante para mim criar dentro da minha comunidade, tanto em termos de identidade quanto artisticamente”, afirmou.
Seu novo longa, “Nosso segredo”, é uma reinterpretação de “Amores surdos”, sua primeira obra teatral, que estreou em 2006 com o grupo Espanca!. Ao explicar a motivação para dirigir um longa-metragem, Grace enfatizou a necessidade de escolher uma narrativa que fosse íntima e significativa para ela, embora a história não seja autobiográfica. A filmagem ocorreu na casa onde passou sua infância, localizada no Jardim Inconfidência, em Belo Horizonte, que ainda pertence à sua família. “O filme aborda segredos e as intimidades compartilhadas ao longo dos anos, histórias que muitas vezes antecedem nossas vidas”, compartilhou Grace.
No enredo, a trama gira em torno de uma família lidando com o luto pela perda de um ente querido, enfatizando a importância de desvendar segredos para atravessar a dor.
Histórias de Luto e Amor em “Se eu fosse vivo…vivia”
Por outro lado, “Se eu fosse vivo…vivia” também explora o tema do luto. André Novais Oliveira, de 41 anos, traz para o público uma narrativa que reflete sobre a experiência de sua própria mãe. “O filme fala do luto da minha mãe, sendo a personagem Jacira uma mescla de diversas personagens da minha vida e filmografia”, revelou o diretor. A obra, que começou a ser idealizada entre 2019 e 2020, traz Norberto Novais Oliveira, pai do diretor, como protagonista e conta com a estreia da escritora Conceição Evaristo no cinema como Jacira, mulher de Gilberto.
A narrativa retrata a relação de um casal que vive junto há quase cinco décadas, abordando temas como amor, cotidiano, envelhecimento e a complexidade do luto. “Embora a história contenha elementos fictícios, há uma forte conexão com a realidade”, destacou André.
Conceição Evaristo, ao confirmar sua participação, enfatizou seu amor por desafios e sua dedicação ao projeto. A preparação dos atores, especialmente a interação entre Evaristo e seu parceiro no filme, foi intensa e rica em diálogos durante os ensaios.
Filmes Brasileiros em Destaque nas Mostras de Berlim
A Filmes de Plástico, reconhecida por levar suas produções a festivais internacionais, como Cannes e Locarno, está animada com sua estreia na Berlinale. “Sempre sonhávamos em apresentar um filme lá e este momento é motivo de grande felicidade e ansiedade. A Panorama é uma mostra tradicional dentro do festival”, comentou Novais.
A seguir, confira os títulos brasileiros selecionados para o festival:
Mostra Panorama:
- “Isabel”, de Gabe Klinger
- “Narciso”, de Marcelo Martinessi (coprodução com o Paraguai)
- “Papaya”, de Priscilla Kellen
- “Quatro meninas”, de Karen Suzane
- “Se eu fosse vivo…vivia”, de André Novais Oliveira
Mostra Generation:
- “A fabulosa máquina do tempo”, de Eliza Kapai
- “Feito pipa”, de Allan Deberton
Mostra Forum:
- “Fiz um foguete imaginando que você vinha”, de Janaína Marques
Mostra Forum Expanded:
- “Floresta do fim do mundo”, de Felipe Bragança e Denilson Baniwa
Mostra Perspectives:
- “Nosso segredo”, de Grace Passô
