PSD Define Rumo nas Eleições Estaduais
O presidente do PSD em Minas Gerais, Cássio Soares, confirmou que o partido não apoiará a candidatura do senador Rodrigo Pacheco ao governo estadual. A decisão ocorre em meio a articulações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que vê em Pacheco um potencial candidato para fortalecer sua presença no segundo maior colégio eleitoral do Brasil. Apesar da pressão, Pacheco tem demonstrado resistência, enquanto o PSD se volta para a pré-candidatura do vice-governador Mateus Simões. Simões, que se filiou ao partido em outubro de 2025 após sua saída do Partido Novo, é visto como a principal aposta da sigla para as eleições em Minas.
Soares, em entrevista ao jornal Estado de Minas, destacou que Pacheco está ciente das movimentações em torno da filiação de Simões. “Ele é um grande homem público”, elogiou Soares, que também reafirmou a escolha do partido em concentrar esforços na candidatura de Simões. Segundo ele, a presença de dois pré-candidatos ao governo dentro do mesmo partido não é viável.
Contradições e Alinhamentos Políticos
O dirigente do PSD assinalou que a união de Pacheco e Lula dentro da mesma legenda poderia gerar uma “contradição eleitoral difícil de explicar”. Ele argumentou que Pacheco, atualmente alinhado ao governador Romeu Zema (Novo), está mais conectado aos interesses da direita, enquanto Simões busca uma ampla unificação desse espectro político.
“Caso o Rodrigo decida ser candidato, isso será com o apoio do governo Lula. Por outro lado, o Mateus defende uma linha que respeita as maiorias do PSD, tanto em Minas quanto no cenário nacional”, detalhou Soares.
Ainda sobre as articulações políticas, o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, atualmente secretário de Governo e Relações Institucionais em São Paulo, deixou em aberto a possibilidade de uma candidatura própria, considerando outros nomes como Ratinho Júnior (Paraná) ou Eduardo Leite (Rio Grande do Sul). Kassab já sinalizou publicamente que apoiaria Pacheco, caso ele se lance à presidência.
Relações Pessoais e Políticas em Jogo
Soares, embora tenha descartado a candidatura de Pacheco, fez questão de ressaltar a relação positiva que mantém com o ex-presidente do Senado. “Rodrigo teve uma participação muito relevante na manutenção da democracia. Ele enfrentou desafios significativos na sua posição e tomou as decisões que considerou necessárias”, destacou o presidente do PSD.
A pré-candidatura de Simões, no entanto, frustra os planos de Lula, que tem manifestado seu desejo de ver Pacheco como candidato ao governo. No ano passado, Pacheco foi cogitado para ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal, mas o presidente optou por indicar o advogado-geral da União, Jorge Messias.
Dificuldades nas Disputas Eleitorais
Em relação às intenções do PT, Soares mencionou a possibilidade de uma “convivência política e institucional” com o ministro Alexandre Silveira, mas alertou que isso pode dificultar futuras candidaturas ao Senado. Silveira, que ganhou destaque após ser empossado em 2022, se alinhou ao governo Lula e deixou claro seu posicionamento político.
“Embora ainda não tenhamos certeza sobre as decisões de Alexandre, é evidente que seu caminho está junto ao presidente Lula. Acredito que ele encontrará dificuldades em uma candidatura pelo PSD”, comentou Soares. Ele argumentou que a presença de Simões como candidato a governador e um eventual candidato ao Senado ligado a Lula poderia confundir os eleitores, levando a acusações de incoerência.
Mesmo assim, Soares ressaltou que essa questão nunca foi debatida com profundidade dentro do partido. Informações recentes indicam que o PT está considerando apoiar a candidatura de Silveira para uma das cadeiras do Senado, enquanto Marília Campos (PT), prefeita de Contagem, é cotada para a outra vaga.
