Negócios e Inovação em Terras Raras
A mineradora australiana St. George Mining, que possui um projeto voltado para as extrações de nióbio e terras raras em Minas Gerais, está em negociações avançadas com a norte-americana REalloys. O acordo de offtake, que pode abranger até 40% da produção de terras raras do Projeto Araxá, promete trazer novas perspectivas para a indústria mineral. A REalloys, uma empresa reconhecida por sua atuação na cadeia de terras raras, possui expertise em processamento, separação e fabricação de materiais magnéticos.
Os produtos da REalloys já são utilizados por órgãos do governo dos EUA, incluindo a Defense Logistics Agency e o Ames National Laboratory, do Departamento de Energia. Além disso, a empresa atende setores essenciais, como defesa, aeroespacial, eletrônicos e tecnologia da informação.
Na última quarta-feira (21), a St. George e a REalloys anunciaram a renovação do memorando de entendimento assinado em 2025, que visa a continuidade dos testes metalúrgicos. Esses testes são realizados em amostras de oxalatos de terras raras produzidas pelo Projeto Araxá, utilizando uma tecnologia proprietária que separa os elementos individuais de terras raras.
Os resultados das análises são fundamentais para otimizar o processo de produção do projeto, com a meta de criar um material que atenda melhor às necessidades de fabricação de ímãs da REalloys. Apesar do progresso técnico, a mineradora australiano destaca que qualquer acordo final de offtake estará condicionado à assinatura de um contrato definitivo, o qual irá detalhar os termos comerciais acordados entre as partes. Até que isso ocorra, o memorando em vigor não implica uma exclusividade nas negociações.
Potencial do Projeto Araxá
O Projeto Araxá, considerado um ativo de classe mundial, conta com um recurso mineral estimado em 40,6 milhões de toneladas, apresentando um teor médio de 4,13% de óxidos de terras raras, além do nióbio. Segundo a St. George, trata-se do maior depósito de terras raras em carbonatito na América do Sul, e o segundo mais rico em todo o continente ocidental.
Esse projeto é monitorado com grande interesse pelo mercado, especialmente devido ao aumento da demanda global por terras raras. Esses minerais são vistos como fundamentais para a transição energética, a indústria de alta tecnologia e o setor de defesa, em um cenário que visa reduzir a dependência de suprimentos da China.
No ano passado, representantes da St. George se reuniram com autoridades do governo dos Estados Unidos para discutir potenciais acordos de fornecimento, sinalizando a importância estratégica do projeto para o futuro energético e industrial do país.
Com previsões de entrar em operação até 2027, o Projeto Araxá está situado nas proximidades das instalações da CBMM (Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração), a maior produtora mundial de nióbio, que detém cerca de 80% da oferta global.
A Relevância dos Contratos de Offtake
Em um mercado amplamente dominado pela China, que controla desde a mineração até a produção de ímãs, os contratos de offtake tornaram-se essenciais para viabilizar projetos de minerais críticos, como as terras raras. Esses contratos garantem a venda antecipada de uma parte da produção, firmando parcerias de longo prazo com governos, fabricantes de ímãs, montadoras e empresas de tecnologia.
Os acordos de offtake não apenas asseguram uma fonte de demanda futura, mas também oferecem uma previsibilidade de receita, funcionando como uma “âncora econômica” para os projetos. Na prática, esses contratos ajudam a reduzir os riscos de preço, mitigando a volatilidade do mercado e aumentando a atratividade para financiamentos junto a instituições financeiras, agências de crédito à exportação e fundos públicos.
