Inovação em Minas Gerais
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) anunciou um feito notável: um instituto de pesquisa brasileiro está dominando etapas críticas na cadeia de minerais raros, com a produção experimental de ímãs permanentes de terras raras. Esses ímãs são fundamentais para a fabricação de baterias, motores elétricos e tecnologias relacionadas à transição energética. O projeto está sendo realizado no Centro de Inovação e Tecnologia do SENAI em Terras Raras (CIT SENAI ITR), que, em dezembro de 2025, produziu o primeiro lote experimental desse material na América Latina, em um momento de crescente demanda internacional por tais recursos.
A FIEMG enfatiza que essa produção representa um marco significativo para o avanço tecnológico no setor de minerais críticos no Brasil. O lote inicial, que variou entre 5 e 10 quilos, está em fase de produção em 2026, mesmo que em quantidades reduzidas, com esforços voltados para aprimorar a qualidade e adequar os ímãs a diversas aplicações industriais.
Foco no Aprendizado Tecnológico
André Pimenta, coordenador de pesquisa do instituto, destacou que o foco principal do projeto é o aprendizado associado ao processo produtivo, em vez de comercializar os produtos. “Em 2026, iremos trabalhar no aperfeiçoamento do ímã, customizando-o para diversas aplicações industriais, já que o SENAI não está autorizado a comercializar o material”, explicou.
A FIEMG também revelou que, atualmente, a produção depende de matérias-primas importadas da China, mas existe a expectativa de integrar insumos nacionais, mesmo que de forma limitada, a partir de 2026. O fornecimento poderá vir de três mineradoras que fazem parte do projeto MagBras, do qual o instituto integra.
Equipamento e Expansão Tecnológica
Outro avanço importante é a negociação para a aquisição de um forno de redução eletrolítica, um equipamento que transformará óxidos de terras raras em metais. Segundo a FIEMG, essa máquina permitirá operações em uma escala intermediária entre o projeto piloto e a produção industrial, aumentando a capacidade tecnológica do CIT SENAI ITR.
Corrida Global por Minerais Críticos
A FIEMG observa que esse avanço ocorre em um contexto de intensificação da corrida global por minerais críticos, essenciais para a fabricação de eletrônicos e equipamentos de energia renovável. Atualmente, a produção e o refino desses materiais estão, em sua maioria, concentrados na China. O Brasil possui a segunda maior reserva mundial de terras raras, com grande parte localizada em Minas Gerais, o que aumenta o interesse internacional por essa região. Além da União Europeia, os Estados Unidos também estão em busca de alternativas para reduzir a dependência de fornecedores chineses, explorando áreas como a Groenlândia, rica em depósitos de terras raras e lítio.
Acordos e Oportunidades para o Brasil
Com a assinatura do novo acordo entre Mercosul e União Europeia, após quase 25 anos de negociações, a FIEMG acredita que o Brasil mantém instrumentos cruciais para sua política industrial. O acordo prevê a possibilidade de taxação ou restrição nas exportações de minerais críticos, com alíquotas que podem chegar a 25%, visando estimular o processamento e beneficiamento desses recursos internamente.
Esse dispositivo abre oportunidades para que o Brasil participe de etapas mais lucrativas na cadeia produtiva, como a fabricação de componentes para baterias e ímãs permanentes, ao invés de se restringir à exportação de minério bruto. Contudo, a FIEMG ressalta que a redução de tarifas comerciais pode incentivar a venda de commodities, exigindo uma decisão estratégica do país sobre seu modelo de desenvolvimento industrial.
Iniciativas e Integração Internacional
Além das ações em Minas Gerais, a FIEMG está negociando a criação de um hub tecnológico no Reino Unido, focado em baterias, eletrificação e economia verde. Essa proposta visa integrar centros de pesquisa, universidades, empresas e instituições industriais, reforçando a articulação internacional em torno da inovação e do uso responsável de matérias-primas estratégicas.
