Desafio de Projeção Nacional
No último sábado (24), o governador de Minas Gerais e pré-candidato à presidência, Romeu Zema (Novo), chegou à Bahia com uma estratégia que mescla articulação política e uma visão a longo prazo para sua carreira. Durante uma entrevista ao Portal M!, Zema admitiu que, apesar de sua elevada popularidade em Minas, ele ainda é um nome pouco conhecido fora do estado, especialmente em regiões onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) continua a ter forte apoio.
“É fundamental percorrer o Brasil, apresentar propostas diferenciadas e, acima de tudo, mostrar que já fiz entregas relevantes”, destacou Zema, fazendo uma comparação com sua trajetória em 2018, quando começou sua campanha ao governo de Minas com menos de 1% das intenções de voto.
A Fragmentação da Direita como Sinal de Vitalidade
Questionado sobre o cenário de múltiplas candidaturas dentro da direita, que conta com nomes como o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), Zema trouxe uma perspectiva otimista. Para ele, a presença de vários pré-candidatos é um indicador de força e vitalidade democrática, e não de fraqueza. “Eu mudaria essa palavra. Em vez de estar dividida, a direita está fortalecida. Quanto mais candidatos, mais votos teremos no final”, afirmou, prevendo que todos se unirão no segundo turno das eleições.
Além disso, Zema aproveitou a oportunidade para criticar a esquerda, sugerindo que seu adversário enfrenta uma crise de liderança. “A esquerda depende de um único nome há quatro décadas. Quando esse nome não estiver mais presente, não haverá mais ninguém para substituí-lo”, comentou o governador.
Propostas de Mudança
Em relação aos desafios estruturais enfrentados pelo Brasil e pela Bahia, Zema enfatizou a necessidade de erradicar o que chamou de “peste política”, referindo-se ao uso da máquina pública para beneficiar aliados e familiares. Ele compartilhou sua experiência em Minas, onde encontrou um estado em dificuldades, comparando-o a um “Titanic no fundo do mar”.
“Precisamos de um setor público mais técnico, mais profissional e menos voltado para interesses pessoais. Essa mudança é crucial para que possamos garantir uma saúde, segurança e educação de qualidade para aqueles que pagam impostos”, defendeu.
Um Anti-Radicalismo como Diferencial
No contexto nacional marcado pela polarização, Zema buscou se apresentar como uma opção moderada dentro da direita. Ele rejeitou rótulos de extremismo e destacou que o radicalismo é contraproducente. “O povo está cansado dessa briga polarizada. Quem me conhece sabe que sou um dialogador, sempre aberto a negociações dentro dos limites éticos e legais”, afirmou.
Essa postura moderada, segundo analistas, visa conquistar o eleitorado de centro e setores produtivos que anseiam por estabilidade e menos confrontos ideológicos. A pré-candidatura de Zema, portanto, não é apenas uma disputa pela presidência, mas uma busca por uma nova forma de conduzir a política brasileira, unindo diferentes correntes em torno de propostas factíveis e efetivas.
