Homenagem a Teuda Bara no Retorno do ‘Cabaré Coragem’
“Eu quero, eu posso, eu quis, eu fiz”, essas palavras ecoam na memória de todos que assistiram à performance de Teuda Bara (1941-2025) em “Mamãe Coragem”, a canção emblemática de Caetano Veloso e Torquato Neto. A obra, que integra o espetáculo “Cabaré Coragem”, terá sua primeira apresentação após a morte da atriz, que partiu no dia 25 de dezembro aos 84 anos. Embora a canção não faça mais parte do repertório, a essência de Teuda permanece viva na nova montagem.
Ao final da apresentação, o coração de Madame, a figura central do cabaré e que simboliza os desafios enfrentados pelos artistas, era arrancado durante a última música. “Agora, deixaremos o coração o tempo todo em cena, para manter a presença dela”, revelou Júlio Maciel, ator do Galpão e diretor do espetáculo. Maciel, que esteve afastado das últimas apresentações, assume o papel de Teuda nas sessões de “Cabaré Coragem” agendadas para os dias 31 de janeiro e 1º de fevereiro no Sesc Palladium, como parte da Campanha de Popularização do Teatro e da Dança. Os ingressos para essas apresentações já estão esgotados.
Um Novo Olhar sobre a História do Espetáculo
“Vou entrar nas duas apresentações como o neto e herdeiro. Ele será um patrão com um pulso tão forte quanto o de Madame”, acrescenta Maciel, refletindo sobre a transição de papéis após a perda de uma das fundadoras do grupo. O “Cabaré Coragem”, além de ser o primeiro espetáculo do Galpão após a pandemia, representa um reencontro significativo entre os atores e o público, abordando a vida de artistas envelhecidos que provam que ainda têm muito a oferecer, mesmo diante do tempo que passa.
Teuda, que enfrentava dificuldades de mobilidade nos últimos tempos, não conseguiu estar presente em todos os ensaios. No entanto, sempre que chegava, era motivo de celebração para todos. “Construímos o ‘Cabaré’ em torno dela”, comenta Maciel, ressaltando a importância da atriz na montagem. A referência principal deste espetáculo é Bertolt Brecht, autor do poema “Balada do soldado morto”, que foi adaptado para canção e interpretado por Cida Moreira, que também participou no processo criativo do “Cabaré Coragem”. Maciel agora assumirá a interpretação dessa música, substituindo “Mãe Coragem”.
Transformações e Novas Interpretações
Além da mudança na canção, algumas falas também serão adaptadas. Uma expressão de Brecht será trocada por uma homenagem de Paulo José, que foi utilizada no espetáculo “Um homem é um homem”, dirigido pelo ator e diretor gaúcho. Essas alterações ainda não foram testadas, uma vez que, desde a morte de Teuda, os integrantes do Galpão não se reuniram. Após as férias de janeiro, o grupo se encontrará na sede, em Horto, para retomar os ensaios.
“A perda de Teuda foi imensa para nós. Como o Beto (Franco, ator do grupo) disse, ela era amiga, mãe, irmã e, às vezes, filha. Sua presença preenchia o ambiente, emanava uma força incrível. Retornar ao palco neste momento é bem difícil para todos nós. Estou apostando que este espetáculo será uma maneira de lidarmos com a dor e uma bela homenagem a ela”, compartilha Maciel, refletindo sobre a importância do espetáculo neste momento delicado.
Futuro do Espetáculo e Expectativas
A ideia é continuar apresentando “Cabaré Coragem” no repertório do Galpão. “Estamos explorando a possibilidade de uma apresentação no Rio de Janeiro ainda este ano. É como se eu estivesse temporariamente substituindo Madame, mas outros ‘herdeiros’ podem surgir ao longo do caminho”, finaliza Maciel, vislumbrando um futuro promissor para o espetáculo.
