Desafios e Oportunidades na América Latina
No Panamá, ocorre uma importante reunião entre os países da América Latina e do Caribe, com exceção da Argentina e da Venezuela. O evento busca reposicionar a região em relação ao desenvolvimento econômico, em um contexto onde muitos países conseguiram, em maior ou menor grau, estabilizar suas economias. O economista Ricardo Sennes, diretor da Prospectiva Public Affairs Latam, destaca que a taxa de inflação está consideravelmente baixa, mas a questão do crescimento econômico permanece uma preocupação. “Os países realizaram a lição de casa em termos de macroeconomia, mas não conseguiram avançar para um crescimento sustentável e significativo”, observa Sennes, destacando a necessidade de uma reforma na estrutura econômica.
Segundo Otaviano Canuto, ex-vice-presidente do Banco Mundial e atual membro sênior do Policy Center for the New South, as projeções de crescimento econômico para a região são modestas, com uma expectativa de pouco mais de 2% para este ano e o próximo. “O fluxo de investimentos está compensando a valorização cambial, mas a desaceleração do crescimento é evidente. A esperança é que, com o aumento do comércio, a redução das taxas de juros e a estabilização das tensões comerciais, haja uma recuperação”, explica Canuto.
Fórum Econômico Internacional 2026
O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, junto a outros líderes da região, participará do Fórum Econômico Internacional 2026, organizado pelo CAF (Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe), que se inicia na terça-feira. Este encontro é crucial para discutir temas emergentes como a transição energética e digital, que se tornaram indispensáveis para o futuro econômico da América Latina. A professora Fernanda Cimini, do Departamento de Economia da UFMG, enfatiza que o evento abordará como os países podem explorar seus recursos naturais, como terras-raras, água e energia, essenciais para a instalação de data centers.
“A transição energética é um desafio significativo. Com a COP30, ficou claro que a participação do setor privado é vital no financiamento da descarbonização, pois os governos não conseguirão atender a essa demanda sozinhos, especialmente com a retração dos Estados Unidos nesse aspecto”, aponta Fernanda.
Economia Digital e Sustentabilidade
Fernanda também ressalta a importância de estabelecer regras claras para a exploração de recursos, como o nióbio. A utilização de data centers, que demandam grande quantidade de eletricidade e água, precisa ser realizada de forma que evite impactos negativos à população. “A América Latina tem experiência em lidar com a volatilidade dos preços de suas exportações, mas os novos desafios, como a transição energética e digital, exigem uma abordagem diferenciada”, afirma.
Canuto compartilha da mesma preocupação, enfatizando que a exploração de minerais críticos não deve se restringir à extração. “É crucial que o refino, que agrega valor e gera emprego, também seja parte do processo”, comenta, observando a expectativa de produção de lítio no Chile, em uma região onde a água é escassa.
Perspectivas Econômicas e Recursos Financeiros
Quanto aos recursos financeiros, Sergio Díaz-Granados, presidente-executivo do CAF, revelou que a instituição almeja aprovar US$ 100 bilhões em financiamentos nos próximos cinco anos. “Além disso, pretendemos dobrar nossa carteira de projetos, superando os US$ 70 bilhões em iniciativas já em andamento”, afirmou.
Para Sennes, o Fórum no Panamá, frequentemente referido como o ‘Davos tropical’, representa uma oportunidade para resgatar o potencial econômico da América Latina, que havia sido negligenciado nas últimas décadas. Ele observa que, apesar das tensões políticas entre centro-esquerda e centro-direita na região, o evento oferece um espaço de diálogo que, de outra forma, não estaria acontecendo. “Esse Fórum proporciona uma plataforma para movimentações econômicas que não dependem dos governos”, conclui Fernanda.
O Fórum Econômico Internacional América Latina e Caribe, promovido pelo CAF, conta com a parceria de mídia do GLOBO e do Valor Econômico, e promete abordar questões cruciais para o futuro da economia na região.
