Análise do Cenário Econômico e Expectativas de Cortes de Juros
O Comitê de Política Monetária (Copom) se reunirá nesta semana e as opiniões no mercado financeiro estão divergindo sobre o início e a magnitude do ciclo de cortes na taxa de juros. Enquanto algumas instituições financeiras acreditam que a redução pode começar já em janeiro, outras apostam em março. Além disso, as expectativas sobre a Selic, que atualmente está fixada em 15%, foram revisadas, com profissionais do setor ajustando suas previsões para uma taxa que ficará abaixo de 12% até o final deste ano.
Segundo Leonardo Costa, economista da Asa, as tensões recentes entre os Estados Unidos, Venezuela e a União Europeia têm influenciado a volatilidade do dólar, gerando mais incertezas no curto prazo. No cenário nacional, Costa ressalta que a atividade econômica brasileira continua em um ritmo vigoroso, o que pressiona a inflação e pode dificultar um ciclo prolongado de cortes nas taxas de juros. “Anteriormente, esperávamos que o ciclo de cortes iniciasse em janeiro com uma redução de 0,25 ponto percentual. Contudo, revisamos nossa projeção para março, mantendo a redução inicial em 0,25%, e agora prevemos uma taxa terminal da Selic em 12,5% em comparação aos 11,75% que projetávamos antes”, explica.
Expectativas de Especialistas sobre o Copom
Fernando Honorato Barbosa, diretor de Pesquisa Econômica do Bradesco, acredita que a desaceleração da atividade econômica e a diminuição da inflação criam um cenário propício para o início do ciclo de cortes da Selic em janeiro. Contudo, ele aponta que a ausência de comunicações claras por parte do Banco Central sobre a possibilidade de um corte em janeiro o levam a prever uma redução apenas na reunião subsequente. Para ele, os juros devem atingir 12% até o final de 2026. “A nossa leitura da comunicação do Banco Central nos últimos meses indica que a autoridade monetária demonstra uma preferência por um início mais cauteloso, possivelmente apenas em março”, afirma Barbosa.
Por outro lado, a economista Iana Ferrão, do BTG Pactual, mantém a expectativa de um corte de 0,25 ponto percentual ainda este mês. Ela argumenta que os dados disponíveis sobre a atividade econômica e a inflação estão favoráveis para um início imediato do ciclo de redução da Selic. Ferrão projeta que a taxa de juros deve fechar o ano em 12%. “No contexto atual, esperar por sinais mais visíveis, como uma desaceleração clara nos salários ou uma diminuição na inflação de serviços intensivos em trabalho, poderia levar a um atraso nas ações do Banco Central, o que aumentaria o risco de uma política monetária contracionista excessivamente prolongada e, consequentemente, custos desnecessários em termos de atividade econômica e no mercado de trabalho”, alerta a economista.
A discussão sobre as expectativas dos cortes de juros e o timing do Copom reflete um momento crítico na política monetária do Brasil, onde as opiniões se divergem em um cenário global conturbado.
