Governador em Pré-Campanha
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, do Novo, esteve recentemente no estúdio da Rádio Jornal, onde apresentou um roteiro bem estruturado. Ele fez questão de discutir sua própria administração, relembrando seus dois mandatos consecutivos e, de forma direta, anunciou sua pré-campanha ao Palácio do Planalto.
No entanto, o que mais se destacou durante a conversa de quase uma hora no programa Passando a Limpo não foi a lista de obras ou os números fiscais. O que realmente chamou a atenção foi a narrativa adotada por Zema. Ele continua se posicionando como um outsider, um empresário que entrou para a política quase por acaso e que prefere ser reconhecido como gestor, ao invés de um político tradicional.
A Voz do Eleitor e o Cenário Atual
Esse discurso pode parecer curioso considerando que ele governa o segundo maior colégio eleitoral do Brasil há quase oito anos, mas faz todo o sentido ao se analisar o atual panorama nacional. O discurso se mostra inteligente, uma vez que os eleitores mostram um claro cansaço em relação aos partidos, à polarização constante e à percepção de que a política tem invadido a vida cotidiana das famílias.
Neste contexto, a figura do administrador pragmático se torna mais atraente do que a do militante ideológico, e é este espaço que Zema tenta ocupar ao viajar pelo Nordeste em busca de apoio.
Um Diagnóstico da Insatisfação Política
Pesquisas recentes revelam uma fadiga coletiva com a política tradicional. Uma parte significativa do eleitorado, cerca de um terço dos entrevistados, declara não confiar nos partidos, evita rótulos políticos e rejeita as disputas constantes entre diferentes ideologias. A discussão política, que antes fazia parte das conversas familiares, tornou-se um fardo em muitos lares.
Este clima social gera um terreno fértil para candidatos que prometem menos retórica e mais gestão. Zema se encaixa nesse perfil. O governador, que é empresário do varejo, construiu uma rede de lojas com ampla presença no interior de Minas e transformou essa trajetória em capital político. Ele enfatiza que não contrata parentes, arca com suas próprias despesas e gerencia o Estado da mesma forma que administrava suas empresas.
A Reeleição como Selo de Eficiência
A sua reeleição em 2022 serve como um “selo de eficiência” para este modelo de administração. Mais do que rejeitar a política tradicional, Zema busca traduzir a política em uma linguagem mais empresarial, o que ressoa com o atual sentimento do eleitor.
Adaptação às Expectativas do Eleitor
Entretanto, a estratégia do governador não é isolada. O que se observa é uma adaptação estratégica de sua parte, moldando sua narrativa à expectativa do eleitor. Em vez de focar em ideologia, ele prioriza a gestão empresarial. Ao invés de ressaltar uma carreira partidária, destaca sua experiência técnica.
Assim como Zema, outros pré-candidatos também tentam alinhar suas biografias a essa nova expectativa do eleitorado.
Diversidade de Posturas na Política Atual
Renan Santos, por exemplo, aposta em um discurso de ruptura, enquanto Flávio Bolsonaro tenta apresentar-se como um opositor ao sistema, embora tenha um histórico familiar que remete à política tradicional. Até mesmo Lula, uma figura emblemática do ‘sistema’, procura deslocar as críticas para o Congresso e o centrão.
Essas diferentes abordagens refletem o mesmo diagnóstico: ninguém deseja ser rotulado como um político profissional em uma eleição marcada pela desilusão em relação à política.
A Reflexão da Candidatura de Zema
A passagem de Zema por Pernambuco não apenas ilustra sua própria candidatura, mas também revela um caminho que parte do eleitorado parece estar indicando, com os presidenciáveis ajustando seu tom para acompanhar esse movimento. É importante ressaltar que Zema já utilizava esse discurso antes mesmo de se tornar uma tendência.
As eleições de 2026 podem não se resumir a uma simples disputa entre esquerda e direita, mas sim à dicotomia entre narrativas de gestão e distanciamento do sistema político tradicional. Mais do que rejeitar a política, o eleitor busca candidatos que tornem o processo político mais leve em seu cotidiano. É nesse cenário que a próxima campanha começa a ser moldada.
