CNI e Entidades do Setor Pedem Flexibilização da Política Monetária
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) expressou nesta quarta-feira (28 de janeiro de 2026) sua profunda preocupação com a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a taxa Selic em 15% ao ano. Essa é a quinta reunião consecutiva em que a autoridade monetária do Banco Central mantém a taxa nesse patamar, o maior desde julho de 2006, quando a Selic estava em 15,25% ao ano durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, em seu primeiro mandato. A CNI critica a postura do Copom, afirmando que a manutenção da taxa ignora a queda da inflação e os efeitos negativos que esse nível de juros impõe à sociedade.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, enfatiza a necessidade de flexibilizar a taxa de juros, afirmando que, ao manter a Selic em um nível insustentável, o Copom está prejudicando a economia e aprofundando a desaceleração do crescimento. ‘É indispensável que a flexibilização da política monetária comece já na próxima reunião’, afirmou Alban em comunicado oficial.
Impactos da Alta da Selic na Indústria e na Construção Civil
Flavio Roscoe, presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), também defende uma política monetária equilibrada que promova tanto o controle da inflação quanto o estímulo ao desenvolvimento econômico e à competitividade da indústria nacional. Ele alerta que a Selic elevada prolonga os efeitos adversos na economia, limitando investimentos, encarecendo o crédito e prejudicando a competitividade das indústrias brasileiras.
Renato Correia, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), ressaltou que os juros altos não apenas dificultam a demanda por imóveis, mas também inibem a capacidade das empresas de iniciar novos projetos. ‘Uma política monetária contracionista encarece o crédito imobiliário e desacelera a atividade da construção’, avaliou Correia, defendendo cortes na Selic como essenciais para a recuperação econômica.
Expectativas para a Próxima Reunião do Copom
O Copom indicou que poderá começar a flexibilização da política monetária na próxima reunião, agendada para os dias 17 e 18 de março. Em comunicado, o Banco Central destacou que a redução da taxa poderá ser considerada em um ambiente de inflação mais controlada. ‘A estratégia envolve calibração do nível de juros com a intenção de iniciar a flexibilização, mas mantendo a necessidade de restrições para garantir a convergência da inflação à meta’, afirmou a instituição.
Economistas do mercado já projetam possíveis cortes nas taxas, variando de 0,25 a 0,50 pontos percentuais na próxima reunião. Muitos acreditam que o ciclo de aperto monetário chegou ao fim, mas o processo de flexibilização deve ser gradual e monitorado de perto.
Pablo Spyer, economista e conselheiro da Ancord, mencionou que o comunicado do Copom reconheceu a diminuição da inflação, mas manteve alertas sobre a condução da política monetária. ‘O ciclo de aperto terminou, mas o de afrouxamento será cuidadoso e dependente dos dados econômicos’, avaliou Spyer.
Na visão de Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, a recente valorização do câmbio e a expectativa de dados econômicos mais fracos podem favorecer um corte mais acentuado, enquanto Rodrigo Marques, economista-chefe da Nest Asset Management, sugere uma abordagem mais cautelosa, com cortes menores de 25 pontos-base.
Por fim, Cristiano Oliveira, diretor de pesquisa econômica do Banco Pine, observou que o comunicado do Copom foi adequado, combinando um sinal de cortes futuros com um compromisso firme com as metas de inflação. Oliveira manteve sua expectativa de um corte de 0,50 pontos percentuais na reunião de março, prevendo uma Selic em 11,50% ao ano até o final de 2026.
