Dados alarmantes sobre a violência contra pessoas trans
No dia 29 de março, o Brasil celebra o Dia Nacional da Visibilidade Trans, um momento que busca destacar a luta e os direitos da população trans em todo o país. Apesar da data ser marcada por ações de conscientização, os números ainda revelam uma realidade preocupante. Em 2025, o país registrou 80 assassinatos de pessoas trans, uma queda de 34% em comparação ao ano anterior, quando 122 mortes foram registradas. Em Minas Gerais, o número também diminuiu, mas em uma porcentagem semelhante de 33%.
No entanto, especialistas, como os do relatório da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), alertam que essa redução pode não refletir a realidade. Fatores como o enfraquecimento das políticas de investigação e a subnotificação de mortes violentas estão envolvidos nesse cenário. “Se a vítima teme que não haverá punição ou que será maltratada ao denunciar, tende a não registrar a ocorrência. Num contexto sem proteção adequada, denunciar um agressor pode colocar a vítima em situação de risco ainda maior, levando ao que chamamos de ‘silêncio estratégico’ para sobrevivência”, destaca o relatório.
Perfil das vítimas e a violência em espaços públicos
Segundo o dossiê da Antra, em 54% dos casos em que a faixa etária das vítimas é conhecida, as mortes ocorreram entre jovens de 18 a 29 anos. No total, 77% das vítimas tinham menos de 35 anos. O documento ressalta que “o Brasil é um território onde a longevidade é um privilégio negado à maioria da população trans”. A maioria das vítimas registradas, no total de 77, eram travestis ou mulheres trans, enquanto três eram homens trans.
Os dados sobre a localização dos homicídios também são alarmantes: 62,5% das mortes aconteceram em espaços públicos. Um caso marcante é o de Alice Martins Alves, de 33 anos, mulher trans que foi espancada em uma rua da Savassi, em Belo Horizonte, em novembro de 2025, e não sobreviveu aos ferimentos. Os suspeitos do crime são dois garçons de um bar local, que alegaram ter perseguido Alice por conta de uma conta de R$ 22 que ela não pagou.
Outro caso notório é o de Christina Maciel Oliveira, de 45 anos, morta no dia 20 de outubro em plena luz do dia, também em Belo Horizonte. O principal suspeito é o namorado da vítima.
A resposta do poder público à violência
A Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese) de Minas Gerais, em nota, reafirmou seu compromisso com a proteção e promoção dos direitos da população LGBTQIA+. A secretaria destacou o treinamento de agentes para lidar com questões de identidade de gênero e orientação sexual, além da inclusão de informações relevantes no Registro de Eventos de Defesa Social (Reds), que visa aumentar a visibilidade e o registro adequado de ocorrências relacionadas à comunidade.
Em Belo Horizonte, a administração municipal também se pronunciou, informando que continua a trabalhar no combate à LGBTfobia e na desconstrução da normalização dessas violências. O município conta com o Centro de Referência LGBT, que oferece suporte psicossocial e orientação jurídica, além da Casa de Acolhimento LGBT, que recebe vítimas de agressões motivadas pela LGBTfobia. A prefeitura destacou que um esforço conjunto da sociedade é essencial para a promoção da igualdade e do respeito.
Mutirão em celebração ao Dia da Visibilidade Trans
Em alinhamento com o Dia Nacional da Visibilidade Trans, programado para esta quinta-feira, a Prefeitura de Belo Horizonte realiza um mutirão das 9h às 17h. O objetivo é facilitar o acesso da população trans, travestis e não binárias a políticas públicas. O evento oferecerá serviços de apoio à retificação de nome e gênero para moradores da capital, orientação jurídica, ações do Sistema Nacional de Emprego (Sine), feira de economia solidária e serviços de saúde.
Assassinatos de pessoas trans e travestis por estado em 2025
Os dados sobre assassinatos de pessoas trans e travestis em 2025 indicam que Minas Gerais e Ceará estão empatados no topo da lista, com 8 mortes cada, seguidos pela Bahia e Pernambuco, com 7 cada. Outras regiões também apresentaram números preocupantes, como Goiás, Maranhão e Pará, com 5 registros cada.
