Estratégia do PL e Atração de Eleitores Moderados
Na última quinta-feira, 29, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), surpreendeu ao incentivar candidaturas presidenciais dentro do espectro conservador, numa ação alinhada ao Partido Liberal (PL) e ao deputado Flávio Bolsonaro. Apesar de parecer inusitada, essa movimentação tem um objetivo claro: ampliar a presença de candidatos na centro-direita, reforçando um discurso menos radical com o intuito de atrair eleitores moderados, grupo crucial que ajudou a garantir a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva em 2022.
Interlocutores do PL, em conversa com o PlatôBR, revelaram que a estratégia de atrair figuras como os governadores Ratinho Júnior (PR), Eduardo Leite (RS) e Ronaldo Caiado (GO), além do fundador do MBL, Renan Santos, visa conquistar o eleitorado mais moderado. Essa abordagem procura captar votos de um segmento que resiste a apoiar o PT, mas que também se afasta da extrema direita. No segundo turno de 2022, muitos desses eleitores optaram por Lula, em grande parte devido à presença do vice Geraldo Alckmin (PSB) e ao leque de apoios que o petista conseguiu reunir ao seu redor.
Pragmatismo Política: A Importância dos 10%
De acordo com caciques do PL, abrir mão de alianças tradicionais para apoiar Flávio Carlos em uma possível candidatura presidencial não se trata de generosidade, mas sim de uma estratégia pragmática. Analistas estimam que a fatia do eleitorado que pode ser conquistada gira em torno de 10% e pode se tornar decisiva na eleição de 2026. Essa parcela pode influenciar diretamente quem ocupará o Palácio do Planalto a partir de 1º de janeiro de 2027, tornando-se essencial para o sucesso nas urnas.
Os mesmos estrategistas do PL estão determinados a repetir a estratégia adotada nas últimas eleições, quando Ciro Gomes, representando o PDT, e Simone Tebet, do MDB, disputaram abertamente os votos no primeiro turno contra Jair Bolsonaro. Essa fragmentação no campo da direita acabou beneficiando o PT, que recorreu ao chamado ‘voto útil’ para consolidar a vitória do lado progressista e evitar uma nova presidência bolsonarista. Naquela ocasião, Tebet conseguiu 4,16% e Ciro, 3,04% dos votos, ambos considerados cruciais para a vitória do atual presidente.
Repetindo a Tática: Mudança de Cenário e Personagens
O panorama eleitoral deste ano apresenta semelhanças com o de 2022, mas com uma mudança significativa: o intercâmbio entre os papéis da direita e da esquerda. O novo roteiro propõe que os candidatos alinhados ao bolsonarismo assumam o protagonismo, permitindo um espaço no primeiro turno para que defendam suas propostas e atraiam simpatizantes. Nesse contexto, Flávio Bolsonaro pretende preservar os votos ideológicos que seu pai conquistou, evitando, no entanto, a veiculação de um discurso extremista e focando nas pautas que ressoam positivamente entre a população.
A liderança do PL acredita que distanciar-se das pautas extremistas associadas a Bolsonaro e demonstrar uma abertura a potenciais apoiadores pode facilitar a aproximação de Flávio com o eleitorado moderado, especialmente em um eventual segundo turno. Essa estratégia se baseia na tentativa de apresentar o senador como uma versão mais palatável do bolsonarismo, o ‘Bolsonaro que toma vacina’, buscando assim recuperar eleitores que deixaram de apoiar o ex-presidente e agora manifestam insatisfação com a gestão de Lula.
