Cenário Econômico Desfavorável
A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central em manter a taxa básica de juros em 15% ao ano continua a impactar diretamente a vida dos brasileiros. Essa manutenção, que se estende por cinco reuniões consecutivas, evidencia um cenário financeiro desafiador para as famílias, que agora precisam adiar compras a crédito. Além de prejudicar o consumo, essa taxa elevada afeta as indústrias, que enfrentam o aumento dos custos financeiros e um desaquecimento nas vendas. A persistência de juros altos em um ambiente de inflação controlada eleva as taxas reais, colocando o Brasil na segunda posição mundial em juro real, atrás apenas da Rússia, que registra uma taxa de 9,88% frente ao juro real brasileiro de 9,23%.
No comunicado divulgado após a última reunião do Copom, os diretores do Banco Central sinalizaram que uma redução gradual na taxa básica pode ser discutida a partir da próxima reunião, prevista para março. Contudo, essa possibilidade não é garantida e dependerá da evolução dos indicadores macroeconômicos. Enquanto isso, o início de 2026 traz um alerta para a economia doméstica, caracterizada por orçamentos cada vez mais restritos e uma perigosa dependência do crédito. Levantamentos recentes mostram que o endividamento das famílias alcançou níveis alarmantes, transformando a situação de “nome limpo” em uma exceção.
Endividamento em Números Alarmantes
Dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) revelam que cerca de 79% das famílias brasileiras estão endividadas, o maior índice desde o início da série histórica em 2010. Mais preocupante ainda é que 30% dessas famílias já apresentam inadimplência, sem perspectivas de quitar suas dívidas. O custo do crédito também contribui para essa situação. Informações divulgadas pelo Banco Central em outubro de 2025 indicam que a taxa média de juros para pessoas físicas chegou a impressionantes 59,4% ao ano. O que começa como um recurso para sanar dívidas mensais rapidamente se transforma em um verdadeiro pesadelo financeiro.
Os advogados tributaristas Bruno Medeiros Durão e Adriano de Almeida, do escritório Durão & Almeida, Pontes Advogados Associados, enfatizam que o atual problema vai além do consumismo. “Estamos enfrentando uma situação em que o endividamento das famílias ultrapassa, há meses, três quartos dos lares brasileiros. Isso demonstra uma fragilidade estrutural entre renda e despesas”, alerta Durão, que preside o escritório.
Buscando Soluções para o Endividamento
Com um estoque recorde de crédito voltado para o consumo e quase metade das famílias endividadas, conforme o Banco Central (49,3% em outubro de 2025), a solução requer mais do que simplesmente cortar gastos. Bruno Durão destaca a importância de desenvolver estratégias judiciais e extrajudiciais. Ele ressalta que, quando a dívida compromete mais de 50% da renda ou inviabiliza o básico para a sobrevivência (o chamado “mínimo existencial”), existe margem legal para renegociação. “É fundamental que os consumidores busquem educação financeira e que as instituições incentivem soluções de prevenção ao superendividamento”, conclui Durão.
Embora exista a expectativa de melhora na renda real ao longo do ano, a tendência é de que o crédito caro continue pressionando o bolso do brasileiro. Isso exigirá prudência redobrada e, possivelmente, a busca por assessoria especializada, para evitar que 2026 se transforme no ano da insolvência familiar.
