O Impacto da Ergonomia no Ambiente de Trabalho
O panorama das indústrias brasileiras está em plena transformação. A presença do trabalhador sênior se torna cada vez mais evidente, com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelando que a população com 60 anos ou mais já alcança 34,1 milhões de pessoas. Isso representa 19,7% da força de trabalho, evidenciando um crescimento de 53,3% na participação de idosos no mercado entre 2012 e 2024.
Esse fenômeno é impulsionado principalmente pela diminuição nas taxas de natalidade e pelo aumento da expectativa de vida. Frente a essa nova realidade, o setor produtivo precisa repensar seus ambientes de trabalho. É mais que uma questão de inclusão; trata-se de uma estratégia essencial para garantir a produtividade e preservar o conhecimento acumulado pelos trabalhadores na linha de produção.
Desafios do Envelhecimento na Indústria
O envelhecimento da força de trabalho traz desafios que muitas vezes passam despercebidos, mas que impactam diretamente a operação fabril. Com o passar dos anos, o corpo humano sofre mudanças que afetam suas capacidades físicas e motoras. Segundo Fernanda Gabriela de Souza Pinto, especialista em ergonomia do Serviço Social da Indústria de Minas Gerais (Sesi MG), essas alterações devem ser levadas em consideração na hora de projetar um ambiente de trabalho.
De acordo com Fernanda, as empresas precisam adaptar seus mobiliários, levando em conta a variabilidade corporal. Isso significa investir em mobiliário ajustável que acomode as necessidades dos trabalhadores mais velhos. Além disso, a redução da força muscular e da resistência física, assim como a diminuição na flexibilidade e na amplitude articular, são fatores que devem ser considerados. “As empresas devem estar cientes de que o tempo de reação e a coordenação motora também sofrem alterações com o envelhecimento”, acrescenta a especialista.
Práticas para Minimizar os Impactos do Envelhecimento
Para atenuar os efeitos do envelhecimento no ambiente de trabalho, algumas práticas podem ser implementadas. Entre as recomendações de Fernanda, destacam-se:
- Posicionar ferramentas e materiais em locais de fácil alcance;
- Reduzir a complexidade das informações visuais e auditivas;
- Aumentar a intensidade da iluminação;
- Melhorar o contraste visual para facilitar a leitura e a identificação de itens.
Ergonomia como Investimento e Não Custo
Embora a adaptação das plantas industriais possa parecer inicialmente um ônus financeiro, a especialista Fernanda Pinto aponta que os retornos desse investimento são rápidos e significativos. A ergonomia, quando bem aplicada, contribui para a diminuição do absenteísmo, evitando afastamentos prolongados e preservando o know-how dos trabalhadores mais experientes.
Implementar intervenções de baixo custo e alto impacto não apenas estabiliza a produção, mas também transforma a ergonomia em um investimento estratégico. “A empresa diminui suas perdas operacionais e consegue se alinhar às exigências das Normas Regulamentadoras NR 01 e NR 17”, afirma a especialista. O objetivo principal é assegurar a saúde e o bem-estar de quem possui o conhecimento e a experiência necessários para manter a operação da fábrica.
Ajustes Sensoriais: Luz e Som
A adaptação sensorial é crucial para garantir a segurança do trabalhador sênior. A visão e a audição, como principais ferramentas de alerta, são afetadas com o passar dos anos, levando a condições como presbiopia e perda auditiva em frequências mais altas.
Fernanda sugere que a iluminação dos ambientes deve ser uniforme e livre de sombras, com níveis de iluminância adequados para compensar a presbiopia. Quanto à sinalização visual, o uso de cores de alto contraste e fontes maiores é fundamental, eliminando estímulos que possam causar distração.
No que diz respeito à comunicação auditiva, a especialista recomenda o uso de alarmes com frequências médias e graves, que são mais facilmente percebidas por trabalhadores mais velhos. A implementação dessas mudanças pode aumentar a confiança do sistema, garantindo que a experiência dos trabalhadores com mais de 50 anos continue a ser um ativo precioso para a competitividade da indústria nacional.
