A Reabertura das Investigações sobre JK
BRASÍLIA – Completando 70 anos de sua posse como presidente da República, Juscelino Kubitschek continua a ser uma referência no debate político em Minas Gerais e em todo o Brasil. Sua morte, ocorrida em agosto de 1976, permanece envolta em mistérios e suspeitas, levantando questões que ainda inquietam a sociedade.
Em fevereiro de 2025, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sinalizou a possibilidade de reabrir as investigações sobre o trágico falecimento de Juscelino. Desde essa decisão, a questão se encontra sob análise na Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), que foi recriada em agosto de 2024 pelo Ministério dos Direitos Humanos após ter sido desativada durante a gestão de Jair Bolsonaro.
Durante uma reunião realizada em 14 de fevereiro de 2025, a CEMDP discutiu a viabilidade jurídica de reconhecer novos casos de indivíduos mortos ou desaparecidos que sejam considerados vítimas da ditadura militar (1964-1985). A comissão estabeleceu que não há prazo decadencial para a investigação de casos com impacto histórico. “Assim como em todas as questões analisadas pela CEMDP, é fundamental que as famílias afetadas sejam consultadas e incluídas no processo”, destacou a pasta responsável.
Para que a comissão possa deliberar sobre o caso de JK, ainda é necessária uma manifestação da Advocacia-Geral da União (AGU), que deverá informar quais medidas podem ser adotadas. O mesmo critério se aplica ao caso de Anísio Teixeira, um jurista e educador que também se opôs à ditadura e faleceu em 1971, sob circunstâncias que ainda geram dúvidas.
A próxima reunião da CEMDP está agendada para 1º de abril. Membros da comissão acreditam que, até essa data, a AGU deverá se posicionar sobre a temática. No colegiado, a relatoria do caso de JK está sob a responsabilidade da conselheira Maria Cecília Adão.
Um Acidente Envolto em Mistério
A morte de JK, ocorrida em 1976, ainda gera controvérsias. De acordo com registros oficiais, ele teria perdido a vida em um acidente de carro na Rodovia Presidente Dutra, no Rio de Janeiro. O veículo, um Opala dirigido pelo motorista Geraldo Ribeiro, teria perdido o controle e colidido com uma carreta, resultando na morte de ambos.
No entanto, muitos historiadores e especialistas apontam que, à época, houve destruição de provas, e os corpos nunca foram devidamente examinados. No momento de sua morte, JK era uma figura central na chamada Frente Ampla, uma coalizão de oposição à ditadura militar, ao lado de João Goulart e Carlos Lacerda, que também faleceram em um intervalo de apenas nove meses. A morte de Jango, assim como a de JK, também é envolta em incertezas.
O tema continua a provocar debates acalorados entre historiadores, políticos e a sociedade civil, que clama por respostas. A expectativa é que a reabertura das investigações traga à tona novos elementos e, quem sabe, elucide os mistérios que cercam um dos líderes mais emblemáticos da história brasileira.
