Uma Viagem pela Ancestralidade
A literatura infantil brasileira ganha um novo e significativo destaque com “A Dança das Memórias”, lançado pela Editora UFMG. A obra explora, de forma sensível e envolvente, a ancestralidade negra, um tema muitas vezes esquecido nas narrativas voltadas para o público jovem. Com uma abordagem que mistura imaginação, pesquisa histórica e uma forte carga política, o livro transforma o entendimento sobre a memória e a identidade, convidando as crianças a uma reflexão profunda sobre suas raízes.
A partir da figura de Maria Gaivota, uma ancestral mineira de Sueli Carneiro, que praticamente desapareceu dos registros históricos, a obra apresenta uma narrativa que é ao mesmo tempo real e poética. O leitor é guiado por um caminho de investigação, no qual documentos de arquivo se transformam em histórias vivas e emocionantes. Esse percurso revela que a construção da história vai muito além de grandes eventos; ela está embasada nas trajetórias silenciosas de indivíduos, especialmente das mulheres negras, que frequentemente ficam à sombra da narrativa oficial.
Investigações que Encantam
Escrito por um talentoso grupo de autoras — Ivana Parrela, Bianca Santana, Cecília Santana e Luanda Carneiro Jacoel — e com ilustrações de Alessandra Alixandrino, o livro se destaca pela forma inovadora como as autoras se inserem na narrativa, tornando-se parte das histórias que contam. Essa escolha dilui as barreiras entre ficção e autobiografia, além de trazer uma perspectiva de ensaio histórico que aproxima o público infantil dos verdadeiros processos de pesquisa e construção da memória. O resultado é uma obra que valoriza a importância da curiosidade e da busca por identidade, fundamentais no desenvolvimento do ser humano.
Ressonâncias de uma Dança
A temática da ancestralidade em “A Dança das Memórias” é apresentada como um movimento dinâmico, e a dança é utilizada como uma poderosa metáfora. Este gesto, que atravessa gerações, carrega lembranças, afetos e saberes que fazem parte do corpo e das experiências sensíveis. O livro sugere que a memória não reside apenas em documentos, mas também na vivência e nas relações que se estabelecem entre as gerações.
Outro ponto essencial da narrativa é a construção de genealogias femininas. Mães, filhas, avós e bisavós são retratadas em suas complexidades, unidas por laços de afeto, trabalho e resistência. Essa representação expõe a realidade multifacetada da vida dessas mulheres, que equilibram a maternidade, a produção de conhecimento e a carreira profissional. Assim, a obra oferece uma fonte de inspiração e referência para crianças, apresentandofiguras que frequentemente não ganham espaço na literatura infantojuvenil.
Literatura como Ferramenta de Transformação
Publicado sob o selo Estraladabão, em parceria com a Crivo Editorial, “A Dança das Memórias” reafirma o potencial da literatura infantil para abordar temas sociais e históricos de maneira profunda e acessível. Ao transformar a busca pela ancestralidade em uma narrativa poética, a obra contribui para a formação de leitores mais conscientes sobre a importância da memória, da justiça histórica e do reconhecimento das múltiplas narrativas que compõem a diversidade brasileira.
O livro recebeu apoio institucional dos governos federal e estadual, através da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult-MG), por meio da Lei Paulo Gustavo (Edital LPG 08/2023 – Territórios e Paisagens Culturais).
Informações Adicionais
Ficha técnica:
Título: A Dança das Memórias
Autoras: Ivana Parrela, Bianca Santana, Cecília Santana, Luanda Carneiro Jacoel
Ilustrações: Alessandra Alixandrino
Editora: UFMG
ISBN: 978-65-86320-09-1
