A Lenda Viva de Dona Olympia
Olympia Angélica de Almeida Cotta, carinhosamente conhecida como Sinhá Olympia, viveu entre 1989 e 1976, marcando a história de Ouro Preto. Esta icônica figura, que encantava turistas com suas histórias que mesclavam ficção e realidade, se vestia com trajes elaborados, inspirados no Império, enquanto caminhava pelas ruas de sua cidade natal.
A presença magnética de Dona Olympia conquistou a atriz Ângela Mourão, que atualmente dá vida à personagem na peça “Olympia”. O espetáculo, escrito por Guiomar de Grammont e dirigido por Marcelo Bones, retorna ao cartaz na Funarte MG, entre os dias 5 e 8 de fevereiro, como parte da Campanha de Popularização do Teatro e Dança.
“Essa figura singular, cheia de peculiaridades e humor, é uma parte fundamental da memória cultural de Minas Gerais”, afirma Mourão.
Um Espetáculo que Transcende o Tempo
Desde sua estreia em 2001, “Olympia” não só conquistou o público mineiro, mas já viajou para diversas regiões do Brasil, além de países como Colômbia, Argentina, Espanha e Portugal. “O espetáculo é muito contemporâneo. Mistura elementos de dança, música e canto, o que mantém sua relevância e vitalidade ao longo desses 25 anos. Após dois anos fora de Belo Horizonte, estou ansiosa para voltar e me apresentar novamente aqui”, comenta a atriz.
A Voz de Dona Olympia e Seu Legado
Olympia Cotta, que cresceu em uma família de 13 filhos, tornou-se uma figura icônica em Ouro Preto. Ângela Mourão conta que, mesmo tendo estudado em boas escolas e sendo fluente em francês, foi a partir dos anos 1950 que Dona Olympia começou a circular pelas ruas com seus trajes distintos, que remetiam às damas da corte, refletindo a transição entre o Império e a República.
Ela costumava “customizar” roupas com itens encontrados nas ruas, como papéis de bala e tampinhas, criando um figurino único e original. “Dona Olympia herdou a cultura do Império, especialmente em Ouro Preto, onde era o centro do governo de Minas Gerais. Com suas vestes coloridas e chapéus, ela se destacava nas praças, sempre pronta para contar suas histórias”, explica Mourão.
A Peça e a Mescla de Realidade e Ficção
A obra teatral retrata a vida de Dona Olympia de forma única, alternando entre a narração e momentos em que a própria personagem ganha vida no palco. “Em determinados momentos, sou a narradora, depois me transformo em Olympia. Às vezes, uso uma máscara e, em outras, interajo como eu mesma, trazendo uma conversa com a história”, revela Ângela.
Reconhecimento e Homenagem
Dona Olympia foi imortalizada no documentário “Dona Olympia de Ouro Preto”, lançado em 1970, dirigido por Luiz Alberto Sartori. A canção que se tornou tema do filme, escrita por Toninho Horta e Ronaldo Bastos, foi gravada por grandes artistas, incluindo Milton Nascimento. Em 1990, recebeu uma homenagem da escola de samba Mangueira no carnaval carioca, que a incluiu no enredo “E deu a louca no Barroco”. Este ano, a morte de Dona Olympia completará 50 anos, e a peça que celebra sua vida e legado está prestes a completar 25 anos.
Curiosamente, antes mesmo da popularização das selfies, Dona Olympia já era uma figura carismática que posava ao lado de celebridades. Em 1960, por exemplo, foi fotografada com os renomados filósofos Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir, que estavam em Ouro Preto a convite de Jorge Amado.
Informações sobre a Peça
“Olympia”, estrelada por Ângela Mourão, será apresentada de 5 a 8 de fevereiro, às 19h, na Funarte MG, localizada na Rua Januária, 68, no Centro de Belo Horizonte. Os ingressos estão disponíveis por R$ 25 no site Vá ao Teatro e em postos da Campanha de Popularização nos shoppings Cidade, Pátio Savassi e Monte Carmo. Na bilheteria, os preços são R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia).
