Mudanças Estruturais no Crea-MG
A infraestrutura de tecnologia da informação (TI) no setor público brasileiro, ao longo dos anos, caracterizou-se por aquisições fragmentadas e contratos desconectados, criando um cenário complexo e difícil de gerenciar. No Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Minas Gerais (Crea-MG), essa situação tornou-se um obstáculo significativo para a eficiência operacional e a evolução dos serviços digitais oferecidos.
Recentemente, a autarquia decidiu dar um passo decisivo ao substituir seu ambiente legado, que operava em silos tecnológicos, por uma arquitetura hiperconvergente (HCI). Essa mudança, realizada em parceria com a Lenovo, Nutanix e a integradora Altasnet, marca uma nova era de maturidade tecnológica para o Crea-MG.
Desafios de um Ambiente Legado
Antes da modernização, o Crea-MG lidava com uma infraestrutura tradicional, composta por servidores, storage, redes e softwares adquiridos separadamente. Cada componente tinha seu próprio ciclo de atualização e contrato, resultando em uma gestão operacional trabalhosa e baixa visibilidade sobre o uso dos recursos. Matheus Bello, diretor da Lenovo ISG para o setor público, explica: “Era recorrente que a equipe de TI passasse meses elaborando uma licitação para servidores, e quando terminava, já tinha que iniciar outro processo para o armazenamento, perpetuando um ciclo de renovação ineficiente”.
A situação piorou ainda mais quando a autarquia perdeu licenças permanentes de virtualização, afetando a disponibilidade dos sistemas e evidenciando a necessidade urgente de uma nova arquitetura.
Opção pela Hiperconvergência
Após uma análise técnica detalhada, o Crea-MG decidiu implementar uma solução de infraestrutura hiperconvergente, utilizando a linha Lenovo ThinkAgile HX Series em conjunto com o Nutanix Cloud Infrastructure Pro. Esse modelo integra todos os componentes essenciais da infraestrutura em nós que podem ser gerenciados a partir de uma única interface.
Com essa nova abordagem, a complexidade operacional foi substancialmente reduzida, garantindo previsibilidade na capacidade e permitindo uma escalabilidade modular. Agora, a adição de novos nós é feita conforme a necessidade, simplificando o crescimento da infraestrutura.
Impactos na Operação e Estratégia da TI
Um dos principais resultados desse projeto vai além do desempenho técnico; refere-se à transformação na atuação da equipe de TI. Com uma gestão centralizada e atualizações integradas, houve uma queda significativa no número de incidentes e chamados operacionais, permitindo que o tempo da equipe fosse direcionado para atividades mais estratégicas.
Gustavo Mendes Guimarães, gerente da divisão de Governança de Tecnologia e Cibersegurança do Crea-MG, destaca: “Antes, não tínhamos visibilidade adequada nem para monitorar cibersegurança. Hoje conseguimos visualizar melhor nossos dados, implementar novas ferramentas e planejar com mais segurança”. A nova infraestrutura possibilita atender demandas que antes eram consideradas inviáveis, criando um ambiente mais estável e propício à inovação.
Segurança e Resiliência na Nova Arquitetura
Outro aspecto crucial do projeto foi a integração do conceito de cyber resilience desde a base da infraestrutura. A solução escolhida introduz mecanismos de proteção que abrangem desde o hardware, incluindo o BIOS, até todo o stack de software, em conformidade com normas internacionais de segurança. Essa estrutura robusta reduz riscos e oferece uma proteção mais eficaz contra ataques, algo cada vez mais necessário no setor público, onde a interrupção de serviços pode afetar diretamente cidadãos e empresas.
Preparação para Futuras Iniciativas
Embora o Crea-MG ainda não tenha implementado projetos de inteligência artificial (IA), a modernização foi projetada como um passo preparatório para essa jornada. Com uma visibilidade aprimorada sobre dados, desempenho e utilização de recursos, a autarquia está agora em uma posição favorável para desenvolver iniciativas de analytics e inteligência de negócios, além de futuras aplicações de IA.
Além disso, a nova arquitetura permite a transição para modelos de nuvem privada e híbrida, conectando workloads locais a ambientes externos quando necessário – algo impensável na configuração anterior. “Antes de implementarmos IA, é fundamental conhecer os dados, entender onde estão, como se comportam e quais são suas características. Agora, o Crea-MG possui essa base sólida”, conclui Bello.
