Um Nome em Ascensão no Cenário Político Mineiro
Em um momento em que o PT e outras siglas de esquerda enfrentam desafios para apresentar um candidato forte ao governo de Minas Gerais, o nome de Josué Gomes da Silva, filho do ex-vice-presidente José Alencar, começou a ganhar destaque como potencial alternativa. Sua inclusão na discussão tem o objetivo de facilitar um palanque estadual para o presidente Lula nas eleições de 2026, conforme noticiado pela Folha de S.Paulo e confirmado por fontes do PT mineiro.
Natural de Ubá, na Zona da Mata mineira, Josué, de 62 anos, é atualmente presidente do grupo têxtil Coteminas e exerceu a presidência da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) até 2025. Sua trajetória empresarial e política o coloca como um candidato viável, mesmo sem ter se filiado ao partido.
A Importância de Minas na Disputa Nacional
Minas Gerais é um território estratégico para partidos que compõem a base do governo federal. A importância do estado se deve ao seu peso eleitoral e à tradição de disputas acirradas, que muitas vezes se tornam decisivas. Para o PT, garantir uma candidatura robusta ao Palácio Tiradentes é essencial para fortalecer sua campanha local e assegurar uma base de apoio para o projeto nacional.
Apesar de o presidente Lula ter manifestado preferência pelo senador Rodrigo Pacheco (PSD), a resistência do parlamentar em se lançar como candidato levou setores da equipe lulista a buscar uma solução alternativa. A pressão por um “plano B” reflete a necessidade de unir apoios e dialogar com diferentes grupos políticos e sociais presentes em Minas.
Josué Gomes: Uma Alternativa com Credenciais Sólidas
Josué não é um novato na política. Ele já participou da corrida eleitoral em 2014, quando se candidatou ao Senado pelo MDB e obteve 40% dos votos, ficando em segundo lugar em uma disputa por uma única vaga. Esse histórico, aliado à sua experiência como presidente da Fiesp, é visto por líderes do PT mineiro como um ponto forte, capaz de ampliar a base de apoio além da militância tradicional.
Além disso, há dois eventos recentes que reforçam sua imagem positiva: o término de sua gestão na Fiesp e a aprovação do plano de recuperação judicial da Coteminas, que envolveu uma reestruturação de dívidas na ordem de R$ 2 bilhões ao final do ano passado. Essa combinação de fatores faz dele um nome que pode agregar, segundo a percepção de aliados.
Reações e Expectativas
Em contato com a imprensa, Josué se mostrou cauteloso e evitou criar expectativas, afirmando que “especulações neste momento são naturais” e elogiando outros líderes que o estado possui. Essa atitude é interpretada por seus interlocutores como uma maneira de manter opções em aberto sem comprometer-se com uma pré-candidatura.
Conversa entre Lideranças e o Papel de Virgílio Guimarães
A sondagem em torno do nome de Josué teria sido iniciada por Virgílio Guimarães, ex-deputado e membro fundador do PT, que possui uma relação próxima com a família Alencar. Guimarães reconheceu a validade de considerar o empresário, mas destacou que até o momento não houve uma proposta formal. “É uma pessoa que merece ser lembrada, mas ainda não há nada concreto”, afirmou ele.
Esse tipo de movimentação ainda está em fase preliminar e é mais uma sondagem do que uma articulação consolidada. O ex-deputado atualmente colabora com o ministro Alexandre Silveira (PSD) no Ministério de Minas e Energia, o que pode influenciar nas dinâmicas das alianças políticas em Minas.
Dilemas na Montagem da Chapa e Potenciais Candidatos
A dificuldade do PT em fechar um nome se evidenciou com o descarte de potenciais candidatos. Entre eles, está Tadeu Leite (MDB), presidente da Assembleia Legislativa, que já declarou que não pretende se candidatar. Outros nomes como a reitora da UFMG, Sandra Goulart, e a prefeita Margarida Salomão também estão na lista, mas possuem limitações que podem impactar a eficácia da candidatura.
Alexandre Kalil (PDT), ex-prefeito de Belo Horizonte, continua a ser considerado, mas tem enfrentado desavenças com lideranças locais desde sua saída nas últimas eleições. Nesse cenário, o PSD se movimenta ao filiar o vice-governador Mateus Simões, que também deseja concorrer ao governo estadual.
Rearranjos Partidários e a Busca por Alianças
A disputa em Minas não se restringe ao governo, o Senado também está sendo alvo de negociações. A prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), já foi considerada para o governo, mas atualmente busca uma candidatura ao Senado. O ministro Alexandre Silveira é também cogitado para compor uma chapa. A movimentação no cenário mineiro reflete a necessidade de alianças abrangentes, geralmente pragmáticas, essenciais para a montagem de chapas competitivas.
Esse contexto torna a sondagem sobre Josué ainda mais relevante, servindo tanto como uma alternativa concreta quanto como uma pressão para que outros candidatos se definam. A urgência em estabelecer um plano sólido para 2026 se evidencia, principalmente em um estado que é o segundo maior colégio eleitoral do Brasil.
