Aumento de Gastos e a Realidade dos Municípios
Luís Eduardo Falcão, presidente da Associação Mineira dos Municípios (AMM) e atual prefeito de Patos de Minas, não poupou críticas ao recente aumento salarial para servidores do Congresso Nacional, aprovado esta semana. Para ele, essa decisão representa um verdadeiro “tapa na cara” da população brasileira.
O impacto financeiro do reajuste, estimado em cerca de R$ 800 milhões por ano, supera a receita de 95% dos municípios do país, segundo informações divulgadas. “Esse aumento é um absurdo. O brasileiro tem um salário médio de R$ 3 mil por mês, enquanto muitos lutam para suprir suas necessidades básicas. No mesmo dia em que o Congresso inicia seu trabalho, aprova um projeto que permite supersalários para os servidores. E nem mesmo houve uma análise de impacto financeiro para essa decisão. Isso reafirma a percepção de que Brasília vive em uma bolha, desconectada da realidade de quem arca com as contas”, destacou Falcão.
A Mobilização dos Prefeitos
Diante dessa situação, Falcão enfatizou a urgência de uma mobilização contínua dos prefeitos em Brasília, onde é necessário cobrar maior responsabilidade dos parlamentares e do Executivo em relação ao pacto federativo. “A luta por uma distribuição mais justa dos impostos é incessante. Apenas 10% dos tributos arrecadados permanecem nas cidades. Por isso, batalhamos dia após dia para que os municípios não arcam com despesas que são de responsabilidade do estado. Atualmente, as prefeituras arcam com custos como combustível para viaturas, repasses de verbas, e até cobranças de serviços como água, luz e telefone, que são essenciais para o funcionamento de órgãos estaduais. Isso sufoca cada vez mais os municípios”, acrescentou o presidente da AMM.
Falcão convocou todos os prefeitos a se unirem para demonstrar força em defesa dos interesses das cidades. “No dia 24 de fevereiro, estaremos novamente em Brasília, protestando contra essas decisões absurdas que são aprovadas e que acabam sendo delegadas aos prefeitos”, finalizou.
