Transformando Desafios em Oportunidades
Lembra-se do icônico filme “O Clube das Desquitadas”, estrelado por Bette Midler, Diane Keaton e Goldie Hawn? Na trama, três mulheres se unem para vingar maridos milionários que as traíram. No final, Ivana Trump, conhecida por seu glamour nos anos 90, surge com uma lição poderosa: “Não fique com raiva, fique com tudo”. Para as personagens, ‘tudo’ era a fortuna dos ex-maridos, simbolizando uma vingança consumada.
Trinta anos depois, um novo grupo de mulheres emerge, silencioso e sofisticado, que não busca apenas um patrimônio, mas sim um impacto social e cultural. Este não é um conto de fadas feminista; elas continuam a ser bilionárias dentro de um sistema desigual, mas optaram por redirecionar seus recursos longe da vingança.
Um exemplo marcante é Melinda Gates. Filantropa e ex-diretora da Fundação Bill & Melinda Gates, ela utiliza sua experiência para promover mudanças significativas após um divórcio bilionário. Recentemente, Melinda falou abertamente sobre seu ex-marido, Bill Gates, e seu polêmico contato com Jeffrey Epstein, o infame financier condenado por abuso e tráfico sexual. As revelações sobre Epstein, que frequentava círculos de poder e morreu na prisão em 2019, foram reacendidas após vazamentos de documentos que têm gerado grande repercussão mundial.
Melinda expressou sua indignação ao comentar: “Nenhuma garota deveria ser colocada na situação em que aquelas que foram envolvidas com Epstein se encontraram. Eu lembro de ter a mesma idade que essas meninas e isso é pessoalmente difícil para mim, pois resgata memórias de momentos muito dolorosos do meu casamento”. Com isso, ela transforma seu desapontamento marital em um propósito cívico, focando nas vítimas e na busca por justiça. Em contraste, Bill Gates declarou que nunca se envolveu com as garotas associadas a Epstein.
Por outro lado, MacKenzie Scott, escritora e ex-esposa de Jeff Bezos, optou por um caminho diferente. Longe do espetáculo das redes sociais, ela escolheu agir em silêncio. Recentemente, Bezos e sua atual esposa, Lauren, foram vistos em eventos de moda em Paris, ostentando riqueza de maneira conspícua. Em contrapartida, MacKenzie decidiu não se exibir. Ela age com autoridade e eficácia.
Desde seu divórcio, MacKenzie tem destinado bilhões de dólares a organizações que promovem justiça racial, proteção ambiental, educação e apoio à infância. A ironia é quase cinematográfica: enquanto Bezos se aproxima de figuras como Trump por motivos políticos e comerciais, MacKenzie financia iniciativas que tentam contradizer a agenda do ex-presidente americano. Em 2025, ela doou impressionantes 7 bilhões de dólares, incluindo 45 milhões para programas de prevenção ao suicídio voltados para jovens LGBTQ+, em um contexto de cortes federais a esses serviços vitais.
Essas duas mulheres exemplificam como transformar experiências pessoais em ações públicas significativas. O que une Melinda Gates e MacKenzie Scott é uma visão clara sobre o que fazer com as fortunas que herdaram. O novo “clube das desquitadas” oferece uma lição valiosa: não se trata apenas de “ficar com tudo”, mas sim de utilizar esses recursos para promover mudanças reais na sociedade. Que vivam Melinda e MacKenzie, cujas histórias inspiram um futuro mais justo e solidário.
