Desafios Eleitorais em Minas Gerais
Na atual corrida presidencial, os principais concorrentes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), se deparam com um dos maiores desafios de suas estratégias eleitorais em Minas Gerais. Nos últimos dias, aliados de ambos os lados intensificaram as negociações para estabelecer palanques competitivos em um estado considerado vital para a disputa pelo Palácio do Planalto.
O interesse por Minas não é à toa: com mais de 16 milhões de eleitores, o estado tem um histórico que mostra que, quase sempre, quem vence aqui chega à Presidência. A única exceção recente foi Getúlio Vargas, que em 1950 conquistou a cadeira sem a maioria dos votos mineiros.
No campo petista, Lula já manifestou preferência pelo senador Rodrigo Pacheco (PSD) para a disputa pelo governo do estado. Contudo, essa articulação esfriou após Pacheco ter sido preterido para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), que se abriu após a aposentadoria de Luís Roberto Barroso. Naquela ocasião, Lula decidiu apoiar Jorge Messias, o atual advogado-geral da União.
Recentemente, porém, interlocutores do Planalto reavivaram a possibilidade de Pacheco como candidato, inclusive considerando sua filiação ao União Brasil. O próprio Lula mencionou em uma entrevista ao portal UOL que não abandonou a ideia de contar com o senador.
Além de Pacheco, o PT também está sondando outros nomes relevantes, como a reitora da Universidade Federal de Minas Gerais, Sandra Goulart, e o ex-prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, que atualmente está vinculado ao PV, embora tenha descartado essa possibilidade por estar afastado da política. No entanto, ambos enfrentam dificuldades em suas viabilidades eleitorais.
Além disso, os nomes do ex-prefeito Alexandre Kalil (PDT) e do presidente da Assembleia Legislativa de Minas, Tadeu Leite (MDB), estão em discussão na cúpula do partido. Também se cogita a formação de uma chapa ao Senado que una Kalil e a prefeita de Contagem, Marília Campos (PT).
Edinho Silva, presidente do PT, foi a Belo Horizonte para dialogar com Kalil sobre a possibilidade de restabelecer uma aliança firmada em eleições passadas. No entanto, aliados de Lula avaliam que, mesmo sem conquistar os ânimos de setores do eleitorado petista, Kalil poderia ser um trunfo na formação de uma coligação abrangente no centro político.
Pacheco, por sua vez, está considerando a possibilidade de deixar o PSD, uma vez que se sente desconfortável com a aproximação do partido ao grupo do governador Romeu Zema (Novo), que recentemente filiou o vice-governador Mateus Simões, candidato ao Palácio Tiradentes.
Kalil, que foi derrotado por Zema na eleição anterior, se filiou ao PDT e, no final de 2025, manteve conversas com o PT. Entretanto, aliados agora revelam que pesquisas internas e a falta de clareza do Planalto o levaram a planejar uma campanha independente. No âmbito do PT, Marília Campos defende que o apoio a Kalil deve ser imediato, desde que Pacheco não participe da disputa. “Não podemos perder o bonde da história”, afirmou.
Entretanto, essa hipótese sofreu um golpe recente quando Carlos Lupi, presidente do PDT, declarou em suas redes sociais que haveria um acordo com o PT. Edinho rebateu a afirmação, enquanto Kalil se manifestou que, em seu palanque, “sobe quem ele quiser”.
A Direita em Busca de Nome Forte
No lado de Flávio Bolsonaro, a maior decepção foi a recusa do deputado federal Nikolas Ferreira (PL) em se candidatar ao governo mineiro, optando por buscar a reeleição na Câmara dos Deputados, pois considera sua atuação nacional fundamental para a direita.
Esse movimento reacendeu os temores no PL sobre a repetição do cenário de 2022, quando Romeu Zema, após ser reeleito, declarou apoio a Jair Bolsonaro apenas no segundo turno. Naquela ocasião, Lula venceu em Minas por uma margem apertada: 50,20% a 49,80%.
Os dirigentes do partido temem que Simões possa adotar uma postura semelhante. O PSD parece inclinado a lançar um candidato próprio à Presidência, enquanto Simões possui um compromisso com Zema para apoiar esse projeto, embora haja pressão do PL para que o atual governador faça parte da chapa presidencial ao lado de Flávio.
Outra perda significativa para o senador foi o distanciamento do líder nas pesquisas para o governo, Cleitinho Azevedo (Republicanos). Após desavenças com Eduardo Bolsonaro, ele esfriou a relação com o PL e adiou sua decisão eleitoral em decorrência do diagnóstico de leucemia de seu irmão, Matheus.
Nikolas Ferreira: O Trunfo da Direita
Nas articulações da direita, Nikolas Ferreira se consolidou como uma figura central na estratégia em Minas Gerais e na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. Com uma forte presença nas redes sociais e uma habilidade comprovada de mobilizar nas ruas, Nikolas é visto como um ativo eleitoral crucial capaz de fortalecer as candidaturas locais e a base bolsonarista no estado.
A recente “Caminhada da Liberdade”, organizada pelo deputado contra o veto presidencial ao projeto de lei da dosimetria, atraiu milhares de participantes e reafirmou sua relevância política neste início do ano eleitoral. Com mais de 21 milhões de seguidores no Instagram, ele se tornou o principal influenciador da direita para 2026, ficando atrás apenas do ex-presidente Jair Bolsonaro entre os políticos brasileiros.
Apesar da pressão interna para se candidatar ao Palácio Tiradentes, Nikolas reafirmou seu desejo de buscar a reeleição na Câmara, afirmando que entrar na corrida estadual poderia se tornar, segundo ele, “um prato cheio para a esquerda”. Essa cautela tem gerado incertezas no campo conservador mineiro, especialmente entre os apoiadores do vice-governador Mateus Simões, que busca se viabilizar como sucessor de Zema.
Dentro do PL, no entanto, Nikolas é considerado uma figura central, com a expectativa de que sua atuação possa ser decisiva. O deputado estadual Bruno Engler declarou à Gazeta do Povo que Nikolas pode ter um papel fundamental na campanha presidencial, contribuindo na comunicação com a juventude e utilizando as plataformas digitais. “Em Minas, ele é um dos pesos pesados. Se decidisse ser candidato ao governo, venceria, mas essa não é sua intenção no momento”, afirmou.
Ao longo de entrevistas, Nikolas enfatizou que sua prioridade permanece em Minas Gerais e que sua participação em um projeto nacional depende de uma estratégia clara e de alianças definidas, mantendo-se como uma figura proeminente na mobilização do eleitorado conservador — mesmo que oficialmente não esteja na disputa pelo Executivo estadual.
