Estratégias para Fortalecer Alianças Partidárias
As movimentações políticas têm se intensificado entre Flávio Bolsonaro e o Partido Social Democrático (PSD) na busca de apoio do Republicanos e da federação União-PP, que ainda adiam definições sobre coligações. Essa dinâmica é vista como crucial em um cenário eleitoral em que as alianças podem determinar o sucesso nas eleições futuras.
Flávio Bolsonaro, que possui forte influência nas articulações, tem se consolidado como um nome chave no xadrez político. O PSD, liderado por Gilberto Kassab, é considerado um ativo significativo, não apenas pela capacidade de agregar tempo de propaganda na televisão, mas também pelo peso no Congresso e a habilidade de organizar palanques locais.
Após a indicação do ex-presidente Jair Bolsonaro, o PL, comandado por Valdemar Costa Neto, passou a apoiar Flávio. No entanto, a competição se tornou mais acirrada com a recente filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ao PSD, que também apresenta outros nomes fortes como presidenciáveis, incluindo os governadores Ratinho Jr. (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul).
Conexões Políticas e Apostas em Chapa
Com o fortalecimento de novas alternativas, as articulações dentro do PL se tornaram mais frequentes. Fontes próximas ao processo relatam que emissários de Flávio e Valdemar têm intensificado as conversas com líderes de outras legendas, visando a união da direita para fortalecer a candidatura presidencial e assegurar alianças estaduais mais robustas.
As tratativas incluem promessas de espaços nas chapas eleitorais e participação em palanques regionais. O PSD, especialmente, tem focado em parcerias nos estados onde a União, PP e Republicanos possuem candidatos competitivos. Em Minas Gerais, por exemplo, o vice-governador Mateus Simões é visto como pré-candidato da legenda, e há conversas com a federação União-PP e os Republicanos para garantir um espaço significativo na composição majoritária e na disputa ao Senado.
No Paraná, o secretário de Cidades, Guto Silva, é o nome escolhido pelo PSD para a corrida eleitoral, enquanto no Rio de Janeiro, a estratégia envolve capitalizar sobre a desordem na base do governo Cláudio Castro (PL) para oferecer condições vantajosas para o prefeito Eduardo Paes.
Importância do Eleitorado Evangélico
O Republicanos se destaca por sua forte relação com a Igreja Universal e seu acesso ao eleitorado evangélico, o que torna a sigla um alvo estratégico. Dirigentes da legenda confirmam que essa questão está sendo avaliada e que a decisão sobre coligações será feita considerando a situação nos estados. Para Flávio, uma das sugestões inclui convidar uma mulher para ser a vice, e há vozes em sua base que defendem a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) para o cargo.
Damares, por sua vez, mencionou que acredita na importância de ter uma vice mulher, indicando também a senadora Tereza Cristina (PP-MS) como uma forte candidata. Embora sua sigla ainda não tenha tomado uma decisão definitiva sobre apoiar Flávio, Damares se comprometeu a seguir as orientações do ex-presidente.
O Desafio da Unidade
O Republicanos, ao mesmo tempo que se aproxima da direita, mantém uma ligação com o governo federal. O partido, que atualmente comanda o Ministério de Portos e Aeroportos sob a liderança de Silvio Costa Filho, abriga membros que defendem a continuidade do diálogo com o Planalto.
Os dirigentes admitiram que é improvável que a legenda siga uma linha homogênea em qualquer um dos lados neste momento. Avaliações estão sendo feitas sobre a possibilidade de liberar os diretórios regionais para formar composições diferentes, especialmente no Nordeste, caso a sigla opte por um alinhamento nacional mais à direita.
Perspectivas Futuras para Flávio
Dentro da federação União-PP, as lideranças reconhecem um cenário polarizado. Embora Flávio esteja sendo considerado um candidato viável, o apoio a ele dependerá do formato da campanha e das negociações regionais.
A percepção interna é que Flávio poderia conseguir mais apoio se ajustar sua mensagem a temas que ressoam com o eleitorado conservador, como segurança pública e combate à corrupção, evitando pautas que possam gerar resistência fora de seu núcleo de apoiadores.
O presidente do PP, senador Ciro Nogueira, afirmou: “Minha relação com o Flávio é a melhor possível, mas essa decisão só tomaremos mais para frente.”
