A Integração da Tecnologia e Saúde Mental
O celular da vice-presidente de comunicação e sustentabilidade da Vivo, Marina Daineze, é um verdadeiro centro de notificações. Contudo, isso não acelera sua rotina matinal, onde ela prioriza momentos de desconexão, como abrir as cortinas para deixar o sol entrar e contemplar o mundo ao seu redor. “É fundamental ter meus micromomentos, como tomar um café enquanto leio o jornal. Procuro retardar essa invasão do celular”, compartilha.
Daineze revela que, no passado, sua primeira ação ao acordar era olhar o celular, mas, após quase dez anos à frente das campanhas de saúde mental da Vivo, sua perspectiva mudou. “Sempre admirei o posicionamento da Vivo, mas ao conhecê-la mais profundamente no ano passado, percebi que havia pessoas realmente engajadas em contribuir para essa causa concreta, indo além do discurso”, afirma, ressaltando o poder da comunicação alinhada à prática.
O papel do publicitário Rodrigo Bressan também se estende na avaliação de iniciativas de saúde mental, como o filme “Afogados”, que a Vivo começará a divulgar esta semana em diversas plataformas, incluindo TV e cinema. A campanha, criada pela agência Africa Creative, retrata um personagem que, semelhante a Daineze em outros tempos, inicia seu dia checando as notificações no celular, enquanto sua rotina se torna cada vez mais imersa em um cenário simbólico de afogamento.
Daineze reflete sobre o filme: “Ele precisou de uma produção robusta, mas suas sutilezas são o que mais impacta. Um detalhe marcante é quando o protagonista, preso em sua tela, vê uma criança na rua, saboreando um sorvete. Essa cena representa a liberdade em meio à hiperconexão, mostrando um contraste poderoso”.
Conteúdos que Provocam Reflexão
A Vivo também investe em novos conteúdos coproduzidos com a atriz e escritora Denise Fraga, que já colabora com a empresa desde 2019, quando fez a peça “Eu de Você” no Teatro Vivo, em São Paulo. Desde então, Fraga tem protagonizado várias iniciativas que discutem a relação das pessoas com a tecnologia, sendo a mais recente a websérie “A vida convida”, que traz um tom mais emocional e bem-humorado.
Daineze comenta que Fraga irá explorar diferentes locais do Brasil em seus próximos episódios, envolvendo o público em discussões sobre a tecnologia e suas implicações. “Ela começará cada episódio lendo uma crônica, e isso servirá como um gancho para interações profundas com os espectadores”, revela.
Além de suas iniciativas de comunicação, Bressan e a Vivo estão engajados em outros projetos que visam conscientizar sobre os riscos da dependência digital. “Os desafios são enormes, especialmente em relação ao tempo de tela. As pessoas precisam refletir sobre essa sobrecarga digital, que pode se agravar com o uso crescente de inteligências artificiais”, alerta Bressan.
Desafios da Tecnologia e o Futuro da Saúde Mental
A tecnologia, conhecida como IA companion, é uma inteligência artificial projetada para atuar como assistente pessoal, mas seu uso constante pode levar a consequências emocionais prejudiciais. Bressan ressalta que este é apenas o início de um problema que pode afetar a estrutura de personalidades individuais, substituindo interações sociais genuínas.
Para mitigar os efeitos negativos, o psiquiatra enfatiza a necessidade de uma investigação contínua por parte de instituições acadêmicas e autoridades. “A participação do setor privado e a conscientização pública são igualmente cruciais neste debate”, afirma.
Bressan coloca em pauta a importância de regular as tecnologias da mesma maneira que se faz com a indústria alimentícia, onde se monitora a quantidade de sal e açúcar. “É fundamental garantir que todos os setores sejam regulados”, opina.
Daineze complementa mencionando iniciativas internas da Vivo, como o programa “Hora da Curiosidade”, que incentiva cerca de 16 mil colaboradores a dedicar um dia do mês a atividades de autocuidado longe das telas. Além disso, a empresa oferece ferramentas gratuitas de suporte psicológico e promove eventos que conectam funcionários a especialistas em saúde emocional e física.
Responsabilidade e Compromisso Social
Por fim, Bressan expressa satisfação ao verificar que a Vivo implementa práticas coerentes em relação ao cuidado com a saúde mental de seus funcionários. Ele menciona a recente Norma Regulamentadora 1 (NR-1) do Ministério do Trabalho, que recomenda cuidados na saúde mental dos colaboradores.
“Foi um alívio constatar que a Vivo mantém um discurso coerente que se reflete nas práticas cotidianas”, comenta. Daineze conclui que, para a Vivo, essa não é apenas uma questão de negócios, mas um compromisso sério com a saúde mental e o bem-estar. “É preciso discutir essa responsabilidade de maneira profunda e comprometida”, finaliza.
