Desvalorização da Moeda Americana
Na última segunda-feira, o dólar fechou cotado a R$ 5,18, marcando o menor valor em quase 21 meses, com uma desvalorização de 0,62%. Esse movimento de queda foi impulsionado por uma nova rodada de desvalorização, após a agência Bloomberg divulgar que a China orientou seus bancos a reduzir a exposição a títulos do Tesouro Americano. Essa recomendação fez com que a moeda americana perdesse valor globalmente.
No fechamento das negociações, à 17h, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a outras seis moedas fortes, registrava queda de 0,8%.
Fluxo de Capital Estrangeiro e Impactos no Dólar
Alexandre Cavalcanti, diretor de Tesouraria do Andbank Brasil, analisa que essa desvalorização está ligada ao fluxo de capital estrangeiro em direção a países emergentes, situação que se intensificou desde o começo do ano. Ele explica: “Se a orientação da China se concretizar, isso poderá pressionar a rentabilidade dos títulos americanos, criando um ambiente propício para a venda do dólar.”
O crescente apetite dos investidores internacionais pela Bolsa brasileira também tem contribuído para a queda da cotação da moeda americana. Até o último dia 5 de setembro, os investidores estrangeiros já haviam injetado R$ 29,2 bilhões no mercado acionário da B3, valor que supera em quase 15% o total investido por essa classe de investidores durante todo o ano de 2025, estimado em cerca de R$ 25,5 bilhões.
Expectativas do Mercado e Comparações com o Exterior
Fernando Siqueira, chefe de pesquisa da Eleven Research, destaca que o desempenho do mercado brasileiro está superando o de mercados internacionais. Ele comenta: “A mudança de foco dos investidores, que estão se afastando de setores como tecnologia e criptomoedas, reflete um sentimento de incerteza em relação a investimentos nos Estados Unidos. As empresas americanas estão realizando investimentos cada vez maiores, mas os custos já elevados aumentam os riscos.”
A atratividade do real também se mantém alta no que diz respeito ao chamado ‘carry trade’, uma estratégia onde investidores tomam empréstimos em moedas com juros baixos, como o iene japonês, para investir em ativos denominados em moedas com juros mais altos, como o brasileiro.
Perspectivas Futuras para o Câmbio e Análises do Bank Of America
Um relatório recente do Bank of America aponta que a atratividade do real é um dos principais fatores que impactam positivamente sua performance. Além disso, uma potencial melhora nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos pode ser vista como um elemento positivo para a moeda nacional.
Entretanto, o banco também observa que as incertezas políticas no Brasil geram assimetrias de risco que podem proporcionar retornos além do esperado. O Boletim Focus, uma publicação do Banco Central com as previsões de economistas, revelou que a expectativa para o câmbio no final do ano permanece estável em R$ 5,50, mantendo essa previsão inalterada há 17 semanas.
