Mercado Favorável Mesmo com Desafios
Recentemente, dois extravasamentos em cavas de mineração em Ouro Preto levaram à suspensão das atividades em dois complexos, Fábrica e Viga, por determinação judicial. Esses incidentes resultaram em uma ordem de paralisação operacional das operações da Vale, mas o impacto no mercado foi surpreendentemente contido. Apesar das dificuldades, as ações da mineradora já acumulam uma valorização de 20% nos primeiros dias de 2026, com um crescimento de quase 2% apenas na última segunda-feira.
Segundo analistas do setor, o cenário atual não parece gerar grandes preocupações relacionadas à segurança dos moradores, funcionários ou do meio ambiente. Essa perspectiva otimista se reflete no desempenho das ações, que não demonstram sinais de preocupação com uma possível intensificação do problema. Frederico Nobre, líder da análise de ações da Warren Investimentos, destaca que os riscos são pequenos e, portanto, o mercado não reagiu de forma negativa. Para ele, a valorização das ações é um reflexo do interesse crescente de investidores estrangeiros em ativos brasileiros.
Influência Estrangeira nas Ações da Vale
A Vale, por sua representatividade no mercado, compõe cerca de 12% do Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira. Essa relevância a torna um ativo atrativo, especialmente em momentos em que investidores estrangeiros buscam diversificação, reduzindo suas exposições em ações tecnológicas nos Estados Unidos em favor de commodities. Esse movimento de busca por ativos relacionados à economia real, como os oferecidos pela Vale, tem contribuído para a valorização das ações da mineradora.
Em resposta aos incidentes, a Vale garantiu que está implementando medidas emergenciais para garantir o controle e monitoramento ambiental, além de se comprometer a cooperar com as autoridades e fornecer todos os esclarecimentos necessários sobre as ações requeridas.
Comparação com Incidentes Passados
Os analistas, como Igor Guedes, da Genial Investimentos, enfatizam que a situação atual é distinta das tragédias de Mariana e Brumadinho. Guedes argumenta que o rompimento em questão, causado por chuvas intensas, não envolveu rejeitos de mineração, não houve vítimas e não teve impacto em comunidades locais. Ele compara a situação a um vazamento em uma caixa d’água que, ao ser cortada, esvazia-se sem riscos adicionais. Essa análise sugere que não há uma escalada iminente do problema.
Um relatório do banco Citi destaca que as minas de Fábrica e Viga, que estão temporariamente suspensas, juntas produzem cerca de oito milhões de toneladas de minério de ferro anualmente, representando aproximadamente 3% da produção total da Vale. A suspensão das operações durante um trimestre poderia resultar em uma perda de cerca de 1,5 milhão de toneladas, mas, mesmo com este desafio, a mineradora não revisou suas projeções de produção.
Desempenho Global das Ações
A valorização das ações da Vale em 2026 segue uma tendência observada em empresas semelhantes ao redor do mundo. A BHP e a Rio Tinto, por exemplo, também experimentaram aumentos consideráveis de 18% e 20%, respectivamente. Em contrapartida, as commodities que são essenciais para a Vale, como cobre e minério de ferro, têm mostrado desempenhos mais modestos. O cobre, que é crucial para a indústria de inteligência artificial, apresenta uma alta de apenas 4,6% nos primeiros dias do ano, enquanto o minério de ferro permanece praticamente estável, com uma leve alta de 0,06%.
Após os desastres em Mariana e Brumadinho, as ações da Vale sofreram quedas acentuadas e levaram meses para se recuperar. Por exemplo, as ações da Samarco, uma joint venture com a BHP, levaram 119 dias para retornar ao valor anterior ao desastre de Mariana, em novembro de 2015. Esse histórico ressalta como eventos adversos podem impactar a confiança do investidor e o valor das ações ao longo do tempo.
