Minas Gerais: O Centro Estratégico da Mineração
O setor mineral brasileiro, em um impressionante crescimento, registrou uma receita de R$ 298,8 bilhões em 2025. Esse resultado foi impulsionado por um expressivo ciclo de investimentos que totalizou US$ 21,3 bilhões. Esses recursos têm como objetivo a extração de minerais considerados estratégicos entre 2026 e 2030, conforme detalha um relatório do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram).
Atualmente, Minas Gerais enfrenta uma disputa por influência global que não tem precedentes. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) identificou 60 minerais críticos, cuja posse se tornou essencial para a segurança nacional do Brasil. Enquanto isso, as discussões em torno de fórmulas matemáticas e tecnologias avançadas estão acontecendo neste exato momento, com reuniões em Belo Horizonte e Brasília focadas na produção mineral.
A Geopolítica dos Recursos Minerais
A configuração do controle sobre os recursos minerais está redefinindo as regras do jogo no cenário internacional. A Agência Internacional de Energia (IEA) destaca que a China detém aproximadamente 90% da capacidade global de refino, utilizando essa posição estratégica para exercer influência sobre outros países. A transição energética global é mais do que uma mudança de modelo de energia; é uma verdadeira guerra mineral silenciosa, e o Brasil possui as armas geológicas necessárias para enfrentar esse desafio.
A demanda digital em ascensão chega ao semiárido e aos polos produtivos de Minas Gerais, revelando a ligação intrínseca entre a mineração e a tecnologia. Não existe inteligência artificial (IA) sem a extração de minerais, uma vez que cada interação digital resulta na exploração de recursos naturais. Assim, Minas Gerais se posiciona como um verdadeiro laboratório do futuro sustentável.
Desafios e Oportunidades
No Vale do Lítio, os testes para as próximas gerações estão em andamento. A preservação ambiental deve caminhar lado a lado com a indústria pesada, priorizando a sobrevivência das comunidades locais. O desenvolvimento econômico precisa respeitar as populações que habitam essas regiões, garantindo que os benefícios da mineração sejam distribuídos de forma equitativa.
Um ponto crucial dessa discussão é o aumento do valor industrial e a necessidade de repensar a lógica de exportação. A prática de exportar lítio para posteriormente importar baterias da Ásia é considerada um erro estratégico. Esse modelo confirma um estágio de atraso que o Brasil deve superar. A hora de mudar essa abordagem é agora.
Iniciativas para a Nova Economia Mineral
O Brasil não pode se limitar a ser o pulmão do mundo. A nova agenda nacional foca no Projeto de Lei (PL) 4.443/2025, que visa alterar o cenário atual, criando zonas de processamento com incentivos para o refino verde. As terras-raras se tornaram a base do poder atual e da soberania digital, evidenciando a necessidade urgente de investimentos em fábricas que convertam pedras em tecnologia.
As parcerias entre o setor público e privado, especialmente com a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), são fundamentais nessa transformação. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Vale estão financiando startups emergentes, e o novo Fundo de Minerais Críticos do BNDES, com um volume de R$ 3 bilhões, será determinante para impulsionar a indústria de mineração e garantir a competitividade do Brasil neste setor.
O Futuro da Mineração em Minas Gerais
A mineração em 2040 deverá ser baseada na reutilização de materiais e na economia circular. O lixo eletrônico que acumula nas cidades representa uma mina de ouro inexplorada. Assim, Minas Gerais deve escolher se quer ser o arquiteto dessa nova economia ou se irá apenas servir de suporte. Esta decisão não apenas afetará o presente, mas também decidirá a riqueza das próximas gerações brasileiras.
