Inovação no Ensino de Inteligência Artificial
A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) aprovou um novo bacharelado em Inteligência Artificial (IA) e Ciência de Dados, que visa desafiar os alunos a resolver problemas reais da sociedade. A proposta, aprovada pela Câmara de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe), enfatiza a importância do uso ético e responsável da tecnologia, além de conectar disciplinas exatas com outras áreas do conhecimento.
O projeto, que ainda aguarda a validação do Conselho Universitário (Consu) da instituição, deve ser votado em 31 de março. Se aprovado, a Unicamp prevê a implementação do curso no campus de Limeira, em São Paulo, no início de 2027, com a possibilidade de uma turma em Campinas já em 2028.
Cristiano Torezzan, diretor associado da Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA) de Limeira, e Leonardo Tomazeli, professor na FCA, são os responsáveis pela criação do curso. Segundo eles, a proposta não se limita a formar programadores; busca formar profissionais capazes de entender os problemas, dialogar com diversas áreas e implementar soluções eficazes. Tomazeli destaca que a abordagem do curso será prática e holística, permitindo que os estudantes trabalhem com problemas reais desde o primeiro ano.
Perspectivas de Carreira e Especializações
Ao concluir a graduação, os alunos estarão prontos para atuar em projetos que envolvem análise de dados e desenvolvimento de algoritmos, abrangendo desde a concepção até a implementação de soluções de IA. Os professores ressaltam que os egressos poderão se especializar em diversas áreas de atuação ao final do curso, escolhendo uma ênfase que lhes permitirá aprofundar seus conhecimentos.
Dentre as ênfases oferecidas, estão:
- Cidades Inteligentes e Sustentáveis
- Administração Pública e Governo Digital
- Saúde e Esporte de Alto Rendimento
Curso Interdisciplinar e Prático
Embora existam cursos de ciência da computação e engenharia que abordem a inteligência artificial, os docentes da Unicamp afirmam que eles não costumam cobrir toda a cadeia de conhecimento necessária. Leonardo Tomazeli enfatiza que desenvolver um projeto de IA exige mais do que habilidades técnicas; é fundamental que os alunos aprendam a interagir com diferentes stakeholders envolvidos no processo.
Além disso, o curso contará com disciplinas denominadas ‘Projetos Integradores’, que permitirão aos estudantes aplicar seus conhecimentos em problemas do mundo real, facilitando o desenvolvimento de habilidades colaborativas e criativas. Torezzan afirma que a formação se concentrará em preparar os alunos para entender as necessidades dos usuários e criar sistemas que atendam a essas demandas.
Ênfase em Conhecimentos Éticos
Outro aspecto importante do curso é a formação ética dos alunos. Os professores ressaltam que é essencial que os futuros profissionais compreendam os desafios, limitações e riscos associados à IA. O curso abordará também as soft skills necessárias para um uso responsável da tecnologia, formando profissionais que estejam cientes das implicações éticas de seu trabalho.
Estrutura do Curso
O bacharelado terá duração de oito a doze semestres, com uma carga horária total de 3.240 horas. Inicialmente, serão oferecidas 40 vagas para turmas no período matutino, abrangendo seis eixos de formação: matemática, estatística, computação, ferramentas de IA, ciência de dados e estágio. É importante mencionar que outros cursos semelhantes já estão disponíveis em universidades, como a UFSCar e a PUC de Goiás.
