Desistência de Nikolas Ferreira e Implicações para o PL
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é pré-candidato à Presidência da República, declarou nesta quarta-feira (11) que o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) não irá se candidatar ao Governo de Minas Gerais, afirmando que a decisão partiu do próprio parlamentar. Essa informação traz à tona a necessidade de uma nova estratégia para o Partido Liberal (PL) na busca por um candidato forte no estado mineiro, que é visto como essencial para as eleições nacionais.
De acordo com reportagens da Folha, Flávio Bolsonaro vinha considerando a possibilidade de lançar Nikolas em uma aliança com membros de uma das alas do centrão, o que poderia proporcionar um palanque bolsonarista robusto em Minas Gerais. Essa aliança era animadora para alguns partidos, especialmente o União Brasil e o PP, que estão juntos em uma federação e viam o deputado como um potencial favorito na corrida gubernamental.
Com a negativa de Nikolas, o PL agora se vê na necessidade de explorar outras alternativas. Um dos nomes que surgem como possibilidade é o do senador Cleitinho (Republicanos), que possui um perfil conservador, embora já tenha se desentendido em algumas ocasiões com Jair Bolsonaro e sua família.
O Cenário Político em Minas Gerais
Atualmente, Minas Gerais é liderada pelo governador Romeu Zema (Novo), que também se posiciona como pré-candidato à Presidência. O vice-governador, Matheus Simões (PSD), já se lançou como candidato ao governo, o que pode complicar a posição do PL, uma vez que ele pode usar a estrutura do governo para apoiar outro nome na corrida pelo Planalto.
Matheus Simões, que deverá assumir o cargo de governador em março próximo, já deixou claro que irá apoiar Zema em sua candidatura presidencial. “O presidente do partido, Gilberto Kassab, foi bem claro. Em Minas Gerais, nosso palanque será do governador Romeu Zema”, disse o vice-governador em declarações feitas em outubro.
Desde o ano passado, Nikolas Ferreira já havia sinalizado que não tinha interesse em participar dessa eleição majoritária. Informações obtidas por fontes próximas a Flávio indicam que ele foi questionado sobre a possibilidade de se candidatar e respondeu negativamente. A relevância de Minas Gerais nas eleições é inegável, pois os últimos presidentes eleitos sempre tiveram uma forte performance no estado, que é o segundo maior colégio eleitoral do Brasil, sem uma clara tendência política predominante.
Mobilização e Desempenho do Deputado
Apesar de sua desistência, Nikolas é visto como uma figura capaz de mobilização, tanto nas redes sociais quanto nas ruas. O deputado, que se destacou ao organizar uma manifestação em janeiro para protestar contra a prisão de Jair Bolsonaro, atraiu considerável entusiasmo e apoio popular.
Em 2022, ele foi o deputado mais votado do país, recebendo cerca de 1,47 milhão de votos, e há expectativas dentro do partido de que, em 2026, ele possa ultrapassar 2 milhões de votos. Essa trajetória transmite a confiança de que seu desempenho nas redes sociais contribui para sua imagem como um cabo eleitoral influente em âmbito nacional, especialmente nas eleições municipais que se aproximam.
Movimentos do Governo e Planos do PT
No lado oposto do espectro político, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) expressa a intenção de apoiar o senador Rodrigo Pacheco (PSD) na disputa pelo Governo de Minas Gerais. Contudo, membros do PT estão elaborando um plano B, considerando outras opções para a candidatura ao governo.
Nesse contexto, Cleitinho volta a ser mencionado, junto a outros nomes como o presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, Tadeu Leite (MDB), e o ex-procurador-geral de Justiça, Jarbas Soares. A disputa em Minas Gerais promete ser acirrada, com diferentes candidatos buscando a preferência do eleitorado em um estado que continua a ser estratégico nas eleições nacionais.
