Baixo Crescimento: O Cenário do Comércio Mineiro
No encerramento de 2025, o comércio de Minas Gerais registrou um crescimento acumulado de 1,8%. Embora o resultado seja positivo, é importante notar que essa foi a menor alta do setor desde 2020, quando o aumento foi de 3,3%. Os dados foram fornecidos pela Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na última sexta-feira, 13 de janeiro.
Em comparação com a média nacional, que obteve uma alta de 1,6% no mesmo período, o desempenho de Minas se destacou ligeiramente. Setores essenciais para os consumidores, como o de artigos farmacêuticos e perfumaria, além de combustíveis, desempenharam um papel crucial no resultado positivo, com aumentos de 9,3% e 2,9%, respectivamente.
Análise Setorial: Altas e Baixas em 2025
Durante o ano, Minas Gerais registrou sete índices de crescimento e cinco de retração, refletindo uma tendência de recuperação, apesar da desaceleração econômica. As maiores quedas foram observadas no setor de Equipamentos de informática e escritório, que caiu alarmantes 32,3%. Outros segmentos que sofreram foram os de Tecidos, vestuário e calçados, com -3%, e o Atacado de alimentos e bebidas, que teve uma queda de 3,9%.
No mês de dezembro, o varejo mineiro apresentou uma diminuição de 0,3% em relação ao mês anterior, rompendo uma sequência de três meses com alta. Apesar disso, esse desempenho ainda foi melhor do que o nacional, que registrou uma queda de 0,4% no mesmo período. A redução em dezembro foi impulsionada por categorias como Móveis e Eletrodomésticos (-8,4%) e Vestuário (-6,8%). Por outro lado, o Atacado de produtos alimentícios e bebidas teve um aumento expressivo de 22,4%, ajudando a amenizar as perdas.
Perspectivas e Desempenho do Setor Farmacêutico
O analista do IBGE, Daniel Dutra, destacou que, assim como o setor de serviços, o comércio enfrentou um ano de altos e baixos, com um crescimento modesto. Ele observou que a principal pressão negativa veio do desempenho abaixo do esperado dos hipermercados e supermercados, que representam entre 40% e 50% do indicador total. “Embora no acumulado do ano tenha havido uma leve alta, essa foi impulsionada por um crescimento mais forte nos últimos meses. O desempenho dos supermercados se manteve estável, porém, foi melhor no ano anterior”, comentou.
O setor de artigos farmacêuticos, embora não tenha uma participação enorme, teve uma variação significativa, sendo considerado um dos principais fatores positivos em dezembro e um dos destaques do ano. Ademais, o comércio de combustíveis também contribuiu para o desempenho geral do comércio em 2025. Apesar do aumento no preço do álcool, dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) indicam que o consumo atingiu um recorde histórico, com 17,9 milhões de metros cúbicos de produtos vendidos, o maior volume em 25 anos.
Cenário Nacional e Expectativas para 2026
No Brasil, o crescimento de 2025 foi abrangente, com destaque para setores como a indústria farmacêutica, de móveis e eletrodomésticos e equipamentos para escritório, informática e comunicação. Na comparação com o ano anterior, 24 das 27 unidades da federação tiveram resultados positivos, com Amapá (8,5%), Santa Catarina (5,9%) e Paraíba (4,8%) na liderança.
Embora Minas Gerais tenha enfrentado um cenário de desaceleração econômica em 2025, a avaliação do economista do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), Adriano Miglio Porto, é otimista. Segundo ele, o comércio mineiro mostrou resiliência ao longo do ano. “Observando o volume de vendas, notamos que se manteve elevado, próximo aos picos do varejo. O ano foi caracterizado por uma renda mais restrita devido aos juros altos, e as vendas cresceram mais em itens de menor valor, como cosméticos e artigos pessoais”, explicou Porto.
Além disso, a análise das vendas no varejo revela um padrão importante, com a demanda se concentrando em bens de menor valor e de compra recorrente, enquanto os segmentos que dependem mais de financiamento mostraram um desempenho inferior. Essa tendência é compatível com um cenário de juros elevados e orçamentos domésticos apertados, em que os consumidores priorizam gastos essenciais, explicando a disparidade entre o varejo restrito e o ampliado.
