Comissão Parlamenar Foca em Viagens de Vorcaro
BRASÍLIA – Os voos internacionais realizados por três jatos registrados em nome de uma empresa do banqueiro Daniel Vorcaro serão alvo de investigação na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. Informações divulgadas por reportagens do jornal O TEMPO revelaram que os parlamentares planejam apresentar requerimentos para apurar quem estava presente nas aeronaves durante as viagens.
Um dos deputados que confirmou a iniciativa foi Rogério Corrêa (PT-MG), que utilizou sua conta na plataforma de X para anunciar: “Vou apresentar requerimento na CPMI para ver quem acompanhou Vorcaro nas viagens, especialmente nos paraísos fiscais”. Essa declaração se deu em resposta a uma das reportagens sobre os voos do banqueiro, que têm levantado sérias suspeitas.
Na última sexta-feira (20 de fevereiro), O TEMPO publicou duas matérias relevantes. A primeira destacou que os três jatos de Vorcaro realizaram impressionantes 268 voos internacionais e 261 voos nacionais nos últimos dois anos. Esses dados foram obtidos por meio do cruzamento de informações da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) e do site ADS-B Exchange.
A segunda reportagem trouxe à tona que os jatos realizaram pelo menos 28 pousos ou decolagens em destinos como Mônaco, Dubai (Emirados Árabes Unidos) e cidades suíças como Genebra e Zurique, todas consideradas paraísos fiscais.
Daniel Vorcaro é conhecido por ser o proprietário do Banco Master e por estar no centro do maior escândalo financeiro do Brasil. Um grupo de congressistas já discutia a possibilidade de realizar uma viagem oficial a Dubai, visando coletar documentos e informações que são consideradas fundamentais para as investigações sobre irregularidades financeiras associadas ao Banco Master e desvios de aposentadorias e pensões do INSS, que também são alvo da CPMI.
A maioria dos voos internacionais realizados pelos jatos de Vorcaro teve como ponto de partida os aeroportos de Confins (MG) e Guarulhos (SP), onde estão localizadas as sedes do Banco Master e do conglomerado de Vorcaro. O banqueiro cresceu em Belo Horizonte, e sua trajetória está ligada profundamente à capital mineira.
Todos os três jatos estão registrados em nome da Viking Participações, uma holding de Belo Horizonte da qual Vorcaro é o único proprietário. Curiosamente, nenhum dos jatos está financiado por bancos, o que indica que foram adquiridos com pagamento à vista.
Polícia Federal Investiga Possíveis Fugas
Em uma reviravolta, a Polícia Federal (PF) revelou que Vorcaro estaria prestes a embarcar em um de seus aviões, um modelo Falcon 7X, quando foi detido no aeroporto de Guarulhos, em 17 de novembro de 2025. As investigações apontam que ele teria como destino Malta, um pequeno país europeu.
No dia seguinte à sua prisão, a PF deu início à Operação Compliance Zero, buscando investigar suspeitas de crimes relacionados à venda do Banco Master para o Banco de Brasília (BRB). Na mesma operação, o Banco Central anunciou a liquidação extrajudicial do Banco Master.
Durante a operação, sete pessoas foram presas, e as autoridades apreenderam uma coleção de bens de alto valor, incluindo joias, carros luxuosos, obras de arte, uma coleção de vinhos raros e a quantia de R$ 1,6 milhão em espécie. O falcon de Vorcaro foi levado para Minas Gerais após ser recuperado pelas autoridades.
O modelo Falcon 7X, lançado em 2010 pela Dassault, possui um valor estimado de R$ 200 milhões. Com capacidade para até 8 passageiros e autonomia de 12 mil quilômetros, o jato é apto a realizar voos transatlânticos sem escalas, como de Los Angeles a Londres.
Com tecnologia de comando digital, o jato pode atingir velocidades próximas a 1.200 km/h, quase a velocidade do som. O interior da aeronave foi modificado para oferecer mais conforto, incluindo uma cama. No entanto, os advogados de Vorcaro negam qualquer intenção de fuga, alegando que ele estava a caminho de Dubai para negócios. Curiosamente, horas antes de sua prisão, a compra do Banco Master pelo consórcio liderado pela Fictor Holding Financeira foi anunciada.
A aquisição envolveria investidores dos Emirados Árabes Unidos, cujos nomes permanecem em sigilo. Assim que a Operação Compliance Zero foi deflagrada e a liquidação do Banco Master anunciada, o Fictor informou a suspensão da operação de compra.
No início de fevereiro, o Grupo Fictor solicitou recuperação judicial para suas empresas, Fictor Holding e Fictor Invest. Por sua vez, a PF abriu um inquérito para investigar o grupo.
Os outros dois jatos associados a Vorcaro incluem um Falcon 2000 e um Gulfstream GV-SP. O primeiro tem um valor entre R$ 23,8 milhões e R$ 46,11 milhões, enquanto o Gulfstream, que pode transportar até 21 passageiros, possui uma autonomia de 7,4 mil km. Vorcaro adquiriu este último em 27 de junho de 2023, de uma empresa de táxi aéreo de São Paulo, ao custo de R$ 120 milhões.
