Inovações Digitais em Mineração
A Vale está introduzindo tecnologias digitais em várias etapas de suas operações de mineração, especialmente nas regiões Sudeste e Norte do Brasil. A empresa, que é uma referência mundial na produção de minério de ferro com uma impressionante produção anual de cerca de 330 milhões de toneladas, deu os primeiros passos rumo à Mineração 4.0 em 2017, ao criar um Centro de Inteligência Artificial. Recentemente, em 2022, a companhia inaugurou seu quarto centro de IA em Belém, destacando seu compromisso com a transformação digital.
A empresa planeja expandir sua frota de caminhões autônomos gradualmente até 2028, somando 90 veículos nas unidades de produção da Serra Norte e Serra Sul em Carajás. Essa iniciativa visa alcançar maior eficiência operacional, além de fortalecer padrões de segurança e sustentabilidade. Outro aspecto importante desse processo é a capacitação dos colaboradores, preparando-os para atuar em funções que exigem habilidades digitais.
Em entrevista ao Estadão, Carlos Eduardo Boechat, diretor de tecnologia e engenharia da Vale, ressaltou que essa transformação digital é uma das principais frentes de evolução na companhia. Boechat, que acompanha a evolução da indústria digital desde 2011, quando fazia seu mestrado na Alemanha, acredita que as mineradoras estão em busca de uma série de ganhos ao aplicar os princípios da Indústria 4.0.
Concorrência e Inovação no Setor
Assim como suas concorrentes, que incluem gigantes como BHP, Rio Tinto e diversas empresas chinesas, a Vale busca tornar suas operações mais inteligentes. A adoção de tecnologias como inteligência artificial, internet das coisas (IoT), drones e sistemas de análise de dados são fundamentais nesse sentido. Boechat destaca que essas ferramentas têm o potencial de transformar as minas em organismos inteligentes e conectados.
Nos últimos dois anos, Boechat tem observado as implementações de tecnologias digitais em países como Austrália, o maior produtor de minério de ferro, e China, um dos maiores consumidores e produtores de minerais. Ele afirma que, nesse cenário, a Vale se destaca como uma referência em transformação digital no setor.
Com a aplicação dessas tecnologias, a Vale já começa a colher resultados positivos. A companhia prioriza segurança, competitividade e sustentabilidade por meio de iniciativas implantadas nas operações. Além de suas atividades no Brasil, a Vale também está presente em outros países, incluindo operações no Canadá (níquel e cobre), na Ásia (como China, Indonésia e Malásia, focando em minério, níquel e logística) e no Oriente Médio (Omã, em logística e operações portuárias).
Resultados e Eficiência Operacional
Os caminhões autônomos já proporcionaram à Vale uma melhoria de 15% no rendimento operacional, além de reduzir o consumo de combustível em 7,5%. Os primeiros veículos autônomos foram introduzidos no Sistema Norte em 2019, o que marca um avanço significativo na modernização das operações.
O executivo destaca que essa frota de caminhões autônomos coexistirá com o sistema truckless, que utiliza uma rede de correias transportadoras de longa distância – com 17 km na mina S11D – para transportar minério sem a necessidade de caminhões, o que resulta em redução das emissões de carbono.
O programa de caminhões autônomos da Vale teve início em 2018, com os primeiros veículos operando na mina de Brucutu, situada em Minas Gerais. Esta mina, inaugurada em 2006, possui uma capacidade de produção superior a 30 milhões de toneladas anuais, sendo a maior do estado e a segunda maior do Brasil, apenas atrás de Carajás.
A Vale também coordena as operações dos caminhões autônomos da mina Capanema, localizada na região central de Minas Gerais, entre os municípios de Santa Bárbara, Ouro Preto e Itabirito. Até o final do ano passado, a frota de equipamentos autônomos da empresa, incluindo caminhões, perfuratrizes e máquinas de pátio, ultrapassava 70 unidades em operação no Brasil, consolidando a posição da Vale como uma líder na adoção de tecnologias de ponta na mineração.
