ISTs: Um Perigo Silencioso Após as Festividades
O período que se segue ao Carnaval acende um sinal vermelho quando se trata da saúde sexual. Isso porque diversas infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) podem não apresentar sintomas evidentes, o que torna a testagem uma ferramenta crucial para identificar e controlar a disseminação dessas doenças.
Entre as ISTs mais conhecidas estão o HIV, a sífilis, as hepatites virais, o HPV, a clamídia e a gonorreia. Apesar de suas diferenças, muitas dessas infecções podem se manifestar de forma silenciosa, especialmente em suas fases iniciais, levando a um quadro preocupante.
A Fuga dos Sintomas nas ISTs
O infectologista Julio Croda explica que as ISTs muitas vezes se instalam em áreas do corpo onde a inflamação é leve, o que pode passar despercebido. “Essas infecções geralmente ocorrem na mucosa genital, anal ou oral, causando inflamações que o corpo tolera bem”, destaca Croda. Isso significa que muitos indivíduos podem não sentir dor, febre ou qualquer tipo de secreção visível.
Além disso, os sintomas podem ser discretos ou surgir apenas semanas após a exposição ao agente infeccioso, criando uma falsa sensação de segurança que leva muitos a postergarem o diagnóstico. Maria Isabel de Moraes-Pinto, infectologista do laboratório Lavoisier, ressalta a importância da testagem: “É fundamental para o cuidado individual e para interromper a cadeia de transmissão”.
Infecções que Podem Passar Despercebidas
Entre as infecções frequentemente associadas à ausência de sintomas, destacam-se a clamídia e a gonorreia, especialmente em mulheres, além de infecções na garganta e no reto. Croda ainda faz menção a outras doenças, como a hepatite B e C, que podem permanecer assintomáticas por longos períodos. “O HIV pode, por exemplo, manifestar sintomas similares aos de uma gripe na fase inicial, mas também pode não apresentar sinais visíveis”, explica.
Riscos Mesmo Sem Sintomas
A falta de sintomas não implica ausência de risco. Croda alerta que os microrganismos responsáveis pelas ISTs podem estar presentes nas secreções ou mucosas mesmo sem lesões aparentes. “Uma pessoa com HIV, por exemplo, pode transmitir a infecção mesmo sem apresentar sinais visíveis, especialmente se estiver em fase inicial com carga viral alta”, destaca.
As bactérias que causam clamídia e gonorreia também podem ser eliminadas sem que a pessoa perceba, o que torna a testagem ainda mais urgente.
Sinais que Não Devem Ser Ignorados
Embora nem sempre sejam evidentes, alguns sintomas devem ser considerados. Pequenas alterações no corpo, como ardor ao urinar, corrimento discreto, coceira, dor pélvica leve ou aumento das ínguas nas virilhas, podem passar despercebidos ou serem confundidos com outros problemas.
Os sinais que muitos ignoram incluem:
- Ardor ao urinar
- Corrimento discreto
- Coceira
- Dor pélvica leve
- Aumento de ínguas nas virilhas
- Verrugas ou feridas indolores na região genital
- Dor e secreção anal
- Dor na relação anal
- Dor de garganta persistente após sexo oral
Como enfatiza Croda, “os sintomas muitas vezes aparecem e desaparecem, e a falta de evidência clara leva as pessoas a adiar a testagem e o tratamento”.
Exames: O Que Considerar
A escolha dos exames apropriados depende do tipo de exposição e da avaliação do médico. Exames de sangue para HIV, sífilis e hepatites virais são geralmente indicados após relações desprotegidas. Vale ressaltar que todos os testes sorológicos possuem uma janela imunológica, período entre a exposição ao vírus e a detecção no exame.
A orientação médica é essencial para determinar o momento adequado para os testes e a necessidade de repeti-los, considerando a situação específica de cada paciente. Para aqueles com múltiplos parceiros e que não utilizam preservativos, é comum incluir testes para clamídia e gonorreia.
Quando a Situação é de Risco?
A relação sexual sem o uso de preservativos, a presença de múltiplos parceiros ou um novo parceiro são fatores que elevam o risco de infecções. Croda destaca que o histórico prévio de IST também é um sinal de alerta.
A prática de sexo em grupo e a utilização inadequada do preservativo são outras situações que aumentam as chances de contrair ISTs. Além disso, o uso de álcool e drogas pode reduzir a percepção de risco, resultando em relações desprotegidas.
Consequências da Falta de Diagnóstico
Não diagnosticar uma IST pode resultar em sérias consequências, que variam conforme o tipo de infecção. Croda explica que infecções bacterianas, como clamídia e gonorreia, podem causar doenças inflamatórias pélvicas, infertilidade e complicações durante a gravidez. Já algumas infecções virais podem evoluir para quadros mais graves, como no caso do HPV, que está associado a câncer em locais como colo do útero, ânus, pênis e garganta.
A Importância da Testagem Regular
Sem diagnóstico e tratamento, a transmissão de ISTs continua, muitas vezes sem que os indivíduos saibam que estão infectados. Desta forma, a testagem torna-se uma parte fundamental dos cuidados com a saúde sexual.
