Enel Apresenta Estratégias para Combater Apagões
Durante a sua apresentação ao mercado, o CEO da Enel, Francesco Cattaneo, afirmou que a empresa está engajada em “boas discussões” para encontrar uma solução definitiva para os apagões que afligem a região metropolitana de São Paulo. Cattaneo enfatizou que a companhia tem uma base sólida de diálogo com as autoridades, o que facilitará a proposta de medidas a longo prazo.
O executivo abordou os desafios que a rede elétrica enfrenta na capital paulista, citando a queda de árvores como um dos principais fatores que danificam os cabos de eletricidade e dificultam o restabelecimento do serviço. “Na nossa avaliação, esse não é apenas um problema da Enel. Se a arborização continuar dessa forma, a situação será insustentável. Não há como evitar apagões sem uma mudança significativa nessa relação”, comentou, fazendo uma afirmação bastante contundente ao sugerir que a solução dependeria de um milagre.
Cattaneo destacou ainda que os cabos estão posicionados dentro das copas das árvores, o que torna impossível evitar interrupções durante fenômenos climáticos severos. “Em eventos de tempestade, não conseguimos impedir que o fornecimento de energia seja interrompido”.
Qualidade do Serviço e Desafios Regulatórios
Segundo os dados apresentados, a Enel melhorou a qualidade do serviço em São Paulo em 50% no último ano. Além disso, o CEO revelou que as negociações para a prorrogação das concessões em estados como Ceará e Rio de Janeiro estão quase concluídas, o que pode significar um fortalecimento da presença da empresa no setor de distribuição de energia.
No entanto, a situação da Enel no Brasil não é fácil. Desde o final de 2024, as concessionárias da empresa enfrentam um intenso escrutínio público devido à lentidão no restabelecimento da energia após eventos climáticos extremos. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) tem observado com atenção o desempenho da Enel, especialmente após uma série de apagões que afetaram milhões de consumidores.
Aneel e Possível Caducidade do Contrato
Com a pressão crescente sobre a empresa, o governo e a Aneel discutem a possibilidade de caducidade do contrato da Enel em São Paulo. O processo começou a ser analisado em novembro do ano passado, mas foi suspenso após um pedido de vista do diretor Gentil Nogueira. O escopo da análise foi ampliado para incluir o apagão de dezembro, que impactou 4,4 milhões de clientes.
Na próxima reunião da Aneel, marcada para esta terça-feira, Nogueira solicitará um prazo adicional de 60 dias para elaborar seu voto sobre a caducidade da concessão, justificando que isso é essencial para garantir o direito à ampla defesa da empresa. Essa solicitação, no entanto, já encontrou resistência, com o diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, defendendo uma deliberação urgente.
Defesa e Investimentos Futuros
A Enel tem se apoiado em pareceres jurídicos de renomados especialistas para sustentar sua defesa, argumentando que a inclusão do apagão de dezembro na análise da concessão seria inconstitucional. A situação é complexa e traz à tona dúvidas sobre a abrangência das fiscalizações e as responsabilidades das distribuidoras durante períodos de intempéries.
Em meio a esse cenário desafiador, a Enel anunciou um ambicioso plano de investimentos de 53 bilhões de euros para o período de 2026 a 2028, com foco na expansão de suas operações em energias renováveis, tanto na Europa quanto nos Estados Unidos. Embora não tenha detalhado quanto desse total será destinado ao Brasil, a empresa revelou que cerca de 6,2 bilhões de euros serão investidos em suas operações na América Latina, incluindo Brasil, Chile, Colômbia e Argentina, desde que haja um ambiente regulatório favorável.
