Mudanças nas tarifas dos EUA trazem esperança para o setor exportador de Minas Gerais
A nova tarifa de 10% imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode representar uma recuperação significativa para as exportações de Minas Gerais, que registraram uma queda de US$ 984 milhões entre agosto e dezembro de 2025, comparado ao mesmo período do ano anterior. Essas informações são provenientes da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG), com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).
Segundo especialistas, essa mudança tarifária pode melhorar a situação das exportações mineiras, especialmente após a revogação de tarifas que alcançavam até 50% sobre determinados produtos brasileiros. A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de eliminar essas taxas elevadas tem um impacto positivo para o comércio exterior brasileiro.
“As tarifas impostas pelos Estados Unidos no ano passado causaram um grande impacto nas exportações brasileiras, especialmente com taxas que chegavam a 50%, e agora, com a recente decisão da Suprema Corte, a situação se torna mais favorável. Essa nova tarifa de 10% é uma redução significativa em comparação com os 50% anteriormente enfrentados. O Brasil tem agora uma perspectiva melhor para recuperar suas exportações”, explica Fernando Sette Júnior, economista e professor de Gestão e Negócios do UniBH.
Segundo o especialista, os setores que mais podem se beneficiar desta decisão são o de café, mineração e siderurgia. O mercado americano, grande consumidor de café, oferece uma oportunidade valiosa para o Brasil, que agora conta com condições mais favoráveis e competitivas.
“Com a nova tarifa, o Brasil tem uma chance melhor de competir com outros países que também exportam para os Estados Unidos. Minas Gerais, no setor de siderurgia, por exemplo, terá um espaço maior e mais justo nas vendas ao mercado norte-americano”, ressalta Sette Júnior.
Na última segunda-feira (23), a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) também se posicionou sobre o assunto, destacando que, apesar das incertezas geradas pela nova tarifação, esta pode ser benéfica para a competitividade da indústria brasileira no exterior.
A entidade alertou que, embora a nova tarifa global de 15% possa aumentar a instabilidade, ela também pode ajudar a manter a competitividade do Brasil em relação a outros fornecedores. “Quando as tarifas são aplicadas de maneira uniforme, preserva-se a competitividade do Brasil, que esteve comprometida anteriormente com taxas muito elevadas”, informa a nota da Fiemg.
Importante destacar que a tarifa começou em 10% na sexta-feira (20), mas foi posteriormente elevada para 15% e atualizada novamente para 10% nesta terça-feira (24). Mesmo com essas mudanças, a tarifa atual a ser considerada é de 10%.
O cenário para as exportações também mostra sinais positivos, especialmente com a recente queda do dólar. Alisson Batista, consultor financeiro e professor da Faculdade Estácio, afirma que o mercado brasileiro tende a reagir de forma favorável às decisões da Suprema Corte. “A valorização do real, com a queda do dólar, representa um ganho para as exportações brasileiras. Contudo, no médio e longo prazo, ainda é difícil prever como as políticas do presidente afetarão o cenário”, comenta.
Além disso, na mesma sexta-feira, a Bolsa brasileira alcançou uma alta significativa, o que, segundo Fernando Sette Júnior, indica uma crescente confiança dos investidores estrangeiros no Brasil. Batista acrescenta que é fundamental que o Brasil continue buscando novos mercados compradores, não apenas limitando-se a questões tarifárias. “Essas movimentações do Itamaraty e do governo de Minas são essenciais para fortalecer a presença do país e do estado em mercados promissores”, conclui.
A lista dos principais itens exportados de Minas para os Estados Unidos também passou por mudanças após a implementação das sanções em agosto de 2025. Enquanto os três primeiros colocados se mantiveram inalterados, o quarto item, que eram tubos e perfis ocos de ferro ou aço, foi substituído por transformadores elétricos e conversores elétricos, que anteriormente ocupavam a quinta posição. Além disso, a exportação de hidrogênio e outros elementos não metálicos também se tornou parte da lista dos cinco principais produtos exportados em 2025.
