Tensão no Comércio Global de Petróleo
Na noite desta quarta-feira (8), os preços do petróleo registraram uma nova alta nas primeiras horas de negociação do mercado internacional. Essa movimentação acontece no primeiro dia de cessar-fogo da guerra no Irã, mas as expectativas de uma abertura significativa do estreito de Hormuz, crucial para o comércio global — onde cerca de 20% da produção mundial de petróleo transita —, permanecem incertas.
Após uma queda acentuada de mais de 11% na sessão anterior, os contratos de junho do petróleo Brent, considerado como referência internacional, viam um aumento de 2,13%, sendo negociados a US$ 96,79. Da mesma forma, o contrato de maio do barril WTI (West Texas Intermediate), amplamente utilizado nos Estados Unidos, subiu 2,71% e estava cotado a US$ 96,97.
A disparada nos preços ocorreu após um dia conturbado, onde a commodity viu seus valores despencarem devido a uma declaração do ex-presidente Donald Trump. Ele havia ameaçado ações severas contra o Irã caso não houvesse um acordo até o prazo estipulado pela administração americana. Em uma postagem na rede social Truth Social, Trump destacou que sua decisão foi influenciada pela expectativa de que o Irã reabrisse o estreito durante o cessar-fogo.
Nesta quarta-feira, surgiram relatos sobre os primeiros navios transitando pelo estreito, o que inicialmente levou os preços do Brent a cair para US$ 90, o menor valor registrado desde 11 de março. No entanto, a movimentação de embarcações continua baixa e é considerada insegura. As empresas de navegação estão aguardando mais clareza sobre os termos do cessar-fogo antes de retomar o tráfego regular pelo estreito. Teerã, por sua vez, anunciou que a via permanece fechada para embarcações que não tenham autorização.
Hamid Hosseini, porta-voz da União de Exportadores de Petróleo, Gás e Produtos Petroquímicos do Irã, concedeu uma entrevista ao Financial Times, afirmando que o país pretende avaliar cada embarcação e implementar taxas de pedágio para os petroleiros que desejam passar pelo estreito. Essas taxas, segundo ele, seriam pagas em criptomoedas. “O Irã precisa monitorar o que entra e sai do estreito para garantir que essas duas semanas não sejam utilizadas para a transferência de armas”, destacou Hosseini, cuja associação atua em estreita colaboração com o governo iraniano.
Embora a dinamarquesa Maersk tenha indicado que a trégua pode criar novas oportunidades de trânsito, a empresa ainda não considera o cenário como seguro para o tráfego marítimo. A Hapag-Lloyd, empresa alemã, também afirmou que precisa avaliar se o cessar-fogo é sustentável antes de aceitar pedidos para mercados selecionados.
A normalização do fluxo de embarcações pode levar de seis a oito semanas, conforme informado pelo CEO da Hapag-Lloyd, Rolf Habben Jansen, durante uma teleconferência com clientes. Ele ressaltou que “um quinto do suprimento mundial de petróleo passa por um corredor que ainda está efetivamente sob a influência de uma das partes do conflito”, o que fragiliza a sensação de estabilidade no mercado global.
Reação dos Mercados Financeiros
O cenário incerto também refletiu nas bolsas asiáticas, que abriram revertendo os ganhos do dia anterior. O índice Nikkei 225, do Japão, registrou uma queda de 0,49% às 23h. A Bolsa de Xangai e o índice mais amplo de ações da Ásia-Pacífico fora do Japão recuaram, apresentando perdas de 0,65% e 0,72%, respectivamente, no mesmo horário.
Nos Estados Unidos, os futuros do S&P 500 e do Nasdaq recuaram 0,2% após um fechamento em alta significativo na sessão anterior. A volatilidade dos preços do petróleo e as incertezas no estreito de Hormuz continuam a ser um fator de pressão para os mercados globais, fazendo com que investidores e analistas permaneçam alerta.
